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Fábulas da Marmota
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Escrito por
Luiz Eduardo Ulrich
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sábado, 28 de junho de 2008
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Pois eis que estive vinte anos com Odisseu... Vinte anos querendo, mais que tudo, o sangrento fim dos pretendentes, esses vermes imundos que cobiçaram a mão de sua esposa, com todas as suas posses e o trono de Ítaca. Mais de 200 patifes imundos que se abancaram na estância do vivente, carnearam todo o seu patrimônio em festas e mais festas, tomaram todo o seu vinho, comeram suas escravas, planejaram a morte de seu filho.
Navegamos, navegamos... Quando parecia que tudo iria bem, que finalmente chegaríamos lá, algo nos retardava. Sempre que avançávamos, Netuno nos pegava pelos bagos. Bosta! Bestas e mais bestas, por todos os recantos. E bestas carnívoras! Todos devorados, afogados, consumidos. Cruzar o Oceano, mergulhar no reino dos mortos, voltar para contar a história, só para tombar logo adiante, de novo, e de novo, e de novo...
Enquanto devorava, deliciado, este fidelíssimo painel da existência humana, minha existência mesma passava por mutações. Neste Oceano de dúvidas, obriguei-me a ancorar em inóspitas respostas. Que fazer de minha tripulação? Que fazer de mim mesmo?
Não podendo ser certeza, decidi fazer-me dúvida, entregar-me ao vagar incerto da esperança, mergulhar na morte certa do otimismo. Fazer-me forte temperando o aço das têmporas no fogo do inferno.
No mundo da realidade não-metafórica, constato que os gaúchos finalmente decobriram que seus políticos também roubam. A nossa imprensa agora parece finalmente corroborar meus diagnósticos do óbvio grosseiro: não vou me repetir, leiam "A Ortolândia do Sul" e "Sobre a Alegada Falta de Recursos do Estado do Rio Grande do Sul", textos em que perco tempo falando dessas coisas que nós não somos: ladrões e corruptos.
A morte sangrenta dos pretendentes insolentes está a 20 anos de distância, mas a Penélope ainda é charmosa, quem sabe com umas lipos, uns botoxes, uns liftingues ela não agüenta até o final. Mas falta aprendermos que essa estória de "ética na política" é uma engambelação grotesca. "Ética" e "Política" são ramos diferentes do conhecimento e associá-los como se fossem siameses é no mínimo ingênuo.
Os políticos da velha guarda seguem Maquiavel, Hitler e Stalin. Os da nova geração acompanham os idosos, mas vestem roupas novas e têm métodos mais sutis... Pelo menos enquanto durarem os estoques!
Bom, vou cuidar da minha vida, enfrentar meus ciclopes e implorar a Netuno que libere meus bagos após a próxima reunião do COPOM.
Ciao!
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