|
Gaijin
|
|
Escrito por
Edweine Loureiro
|
|
sexta, 01 de agosto de 2008
|
O ano era 1979. Eu caminhava rumo à Central, quando, de repente (não mais que de repente), vi aquele senhor aproximar-se:
“Boa noite, prezado amigo. Tem um fósforo? – e com um sorriso irônico, completou: - Ė para o cigarro...”
Entreguei-lhe um isqueiro, quase que automoticamente. Tinha pressa e somente de relance vi seu rosto. Ele, acendendo o cigarro, ofereceu-me outro da cartela:
“Aceita?”
“Não, obrigado. Acabei de fumar um...”
Diante de minha recusa ele apenas sorriu:
“Obrigado pelo isqueiro... – e tocando levemente a aba do chapéu, completou: – Atė um dia, amigo...”
Respondi à cortesia e, também despedindo-me, continuei a caminhar. Foi somente alguns passos adiante que me dei conta: Aquele senhor... era Vinicius de Moraes!”
Mas, voltando-me para vê-lo, já não mais o encontrei.
Ciente da oportunidade que acabara de perder, não pude conformar-me: tão perto que estive, tantas perguntas eu tinha... e deixei-o ir!
Desolado, continuei o trajeto. Até que, passando em frente a uma loja de discos, escutei:
“Não quero mais esse negócio de você longe de mim...”
E, entrando na loja, comprei o disco.

Leia outros textos deste autor ou coluna:
Oh, Quanto Riso!...
Soldadinhos-de-chumbo
frankEINSTEINS
Entrevista - Sr. Tamio Matsuo
Sobre um Camarada
Okuribito
Clinicamente Morto
|