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Poetikaos
Escrito por Artur Marquez   
segunda, 11 de agosto de 2008
Eu não vi os expoentes de minha geração
Serem destruídos pela loucura
Minha geração sequer tem expoentes

Nunca singrei em um Bateau Ivre
O trêm de poltronas azuis avança lento
Apenas em meus sonhos,em meus sonhos...


Nenhuma revolução contou comigo
O sangue,a poeira,as bandeirolas vermelhas
Imagens projetadas...

Ah!Não ter uma ditadura pra derrubar!
Ah!Ser livre pra poder fazer tudo
E acabar não fazendo nada

Já tenho o martelo
E a filosofia também
Só me falta um alvo
(que não seja eu mesmo)

Algum messias louco me tire daqui
Algum messias roto,vomitado
Que me tire desse estado
(de latência)
Algum messias...

Alguma auxina,alguma estricnina
Alguma ideologia na contra-mão
Que me tire do chão
Ou me enterre de vez nele


Que eu já tô muito adestrado
Que eu já tô muito travestido

Mas quando diante da mesa posta
Refuto as idéias
De que a vida é uma bosta
Bebo um bom gole de vinho
E recobro a lucidez...
Merda!Recobro a lucidez!


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Comentários
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Eduardo H. Sabbi e Ibbas Filho   |24-08-2008 09:38:37
avatar Olá Artur, muito bom poema, com essa crueldade da vida como ela é.

Mas me diz uma coisa, uma geração sem expoentes e sem loucura? Ou somente com loucura, sem expoentes?

Nos remeteu a duas grandes músicas do nosso tempo:

"Rebelde sem causa" (Ultraje a Rigor):
Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar


"Ideologia, eu quero uma pra viver" (Cazuza)
Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Ah, eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver


Merda mesmo é recobrar a lucidez e lembrar que não se pode dirigir depois do vinho! rsrsrsrs

Grande abraço!
Grande abraço.
Artur Marquez   |24-08-2008 20:46:15
Buenas!

O poema faz referência a essa geração reumática antes dos 20,da qual faço parte.Que se cala sozinha ou,talvez,que não tem nada a dizer.
É difícil identificar algum expoente hoje.Os meus,por exemplo,morreram antes que eu nascesse.De overdose,Aids,afogados no próprio vômito...



O primeiro verso é uma
intertextualidade ao poema "Howl",de Allen Ginsberg,um dos grandes cabeças da geração "beat".Geração ativa e revolucionária,bem contrastante com a minha.
Pois é,acho que nasci no tempo errado! hehe

Mas e aí : envelhecimento precoce ou síndrome de Peter Pan?

Um grande abraço,gaúcho véio!
Anônimo   |06-09-2008 09:49:45
As guerrilhas das décadas de sessenta e setenta já eram, infelizmente, mas ainda podemos lutar em nossas próprias guerras atuais, interiores ou não, seja com votos, estilingues, meditações ou poemas. Abraços.
João Batista dos Santos   |06-09-2008 09:52:11
Continuando, é pena que o povão brasileiro hoje prefere morrer em filas de hospitais do que fazer alguma coisa mais concreta.
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