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Nagasaki PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Edweine Loureiro   
segunda, 11 de agosto de 2008
Escrevo esse texto enquanto assisto na TV a um documentário sobre os efeitos da Bomba Atômica em Nagasaki.

Na tela, a estória de um senhor japonês – cujo nome infelizmente não me recordo – é tocante. Na manhã do dia 9 de agosto de 1945, estava ele e outro garoto brincando na cobertura de um prédio qualquer em Nagasaki. No meio da diversão, porém, o amigo pede-lhe que retornem ao interior do edifício – ao que ele acaba assentindo, não sem alguma resistência. Segundos após, com os dois garotos já no elevador, uma nuvem de fumaça radiativa cobria os céus da cidade...

Passados 63 anos, este senhor tem uma missão: reencontrar o colega de infância que lhe salvara a vida naquele famigerado 9 de agosto. E, assim, ele inicia uma jornada cujo final não nos cabe aqui revelar...

O que nos cabe, sim, é refletir sobre os efeitos desta que é uma das maiores barbáries da História contemporânea. Para nós, ocidentais, as páginas desta tragédia, muitas vezes, não passam de material de escola; pedaços de um passado que desejamos esquecer, ou algumas vezes (no caso dos autores do crime) até mesmo negar.

Em vão. Pois os efeitos ainda estão lá: sob a pele; misturados ao sangue e hospedados nos cérebros de milhares de japoneses – paralíticos, cegos, ensandecidos...

Para as vítimas de Nagasaki – hoje, em sua maioria, septuagenários – o dia 9 de agosto de 1945 não acabou. Nem acabará. Pois, ainda que cem anos se passem, eles continuarão ouvindo o som da explosão da bomba e sentindo o cheiro dos corpos carbonizados ao seu redor. As memórias daquele dia estarão para sempre em suas pernas inválidas, nas manchas do câncer espalhadas por suas mãos, seus rostos...

Para eles, os sobreviventes, continua chovendo em Nagasaki.

Uma chuva negra. Sem fim...


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Comentários
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João Batista Santos   |02-10-2008 08:01:29
avatar Hiroshima e Nagasaki são mesmo uma mancha negra na história da humanidade. Como puderam, mesmo numa guerra, e mesmo com a desculpa, esfarrapada ou não, de que essa estratégia era pra acabar de vez com o conflito, um povo jogar duas bombas Hs em cima de civis? Abraços.
Cibelly Correia   |02-10-2008 09:52:20
avatar o que é impressionante é que sempre grandes e trágicos acontecimentos ficam apenas em papeis escritos... e tornam uma vaga lembrança pra grande mutidao.. enquanto para poucos os que sofreram com esses acontecimentos.. sua dor passa de geração para geração...
Marcos Claudino   |02-10-2008 10:28:25
avatar Que belo texto, amigo, parabéns!!

Interessante é que continuamos fazendo a mesma coisa, infelizmente. Pra todos os efeitos, não fomos nós, é só história.

Ainda matamos, direta e indiretamente, com nossa fobia pelo eterno "TER".

Abração,

Mc
Eduardo H. Sabbi e Ibbas Filho   |02-10-2008 12:52:36
avatar E enquanto isso, do outro lado do mundo, depois de muitas décadas, os assasinos choram a ação dos terrorristas nas suas torres gêmeas. 'Terroristas', que no dicionário japonês é sinônimos de 'americanos'...
Lilly Falcão   |06-10-2008 12:25:37
avatar Bomba nehuuma conseguirá apagar ou ocultar essa sujeira norte-americana da memória da raça humana! Nagazaki e Hiroshima falem de PAZ e VIVAM para alcançá-la, APESAR DE!
Edweine Loureiro  - Todo mes de agosto...   |08-10-2008 05:14:13
avatar Hiroshima e Nagasaki amanhecem em silencio, para lembrar as vitimas das bombas. Muitos recordam sempre Hiroshima, e depois Nagasaki: quis homenagear a segunda cidade (alias, Nagasaki, foi o lugar. historicamente, escolhido pelos portugueses para evangelizar o Japao). Ate hoje, o maior numeroe cristaos esta localizado em Nagasaki. Penso que o texto cumpriu sua missao... Obrigado a todos os que o comentaram. Edweine
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