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À Palo Seco
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Escrito por
Lilly Falcão
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quarta, 03 de setembro de 2008
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Não quero ter que habitar
Um corpo estranho, sem jeito
Assim lânguido, intépido
pálido velho ou senil
Quero a magia do sorriso
De quem nasceu satisfeito
De quem serviu a senhores
Sem jamais tornar-se servil
Quero povoar-me dessa menina
Antiga que ora me habita
E não me deixa sozinha
Nem por um breve adeus
Pássaro Nêmesis sobrevivente
Dos dez mil laços-de-fita
Guardaste o primeiro retrato
Do meu pobre riso no teu
Só contigo me atrevo a voar
E entoar as coisas mais loucas
Em uma única voz como um eco
Um só vão pensamento
Chego a rir das feridas
E a celebrar a pouca vida
Enxergando num poema
A cura e o melhor ungüento
[...]
E quando enfim empinarmos
Todos os tantos versos
- pipas de uma vida! -
E sob o sol que se apaga
No frio da noite de cobaltina
Vier a implacável lembrança
Da nossa infância então perdida
Cantaremos - sim, de memória e
bem baixinho! - nossos secretos
Folguedos de meninas!
* Para a minha vó Luzia, cuja Luz é azul e reluz para mim todo santo dia!;))

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