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Astolfo e a Lenda de Arquimedes
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Poesia a Toda Prosa
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Escrito por
Frank Santos
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domingo, 14 de setembro de 2008
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Astolfo fugiu pelo cantinho que encontrou. Ser ligeiro era uma virtude muito bem vinda naquela hora. Relaxou e controlou sua respiração quando finalmente conseguiu chegar em “casa “ são e salvo. Os boatos de matança já estavam espalhados aos ventos. Demoraria a sair novamente, tinha um bom estoque de comida, então se resguardaria. Aproveitava o tempo pra pensar na vida, não entendia porque as mulheres não o temiam, algo bem natural de acontecer a todos de sua espécie. Fugia sempre que notava que elas o procuravam sempre depois de dizerem palavras carinhosas no diminutivo.
Dias depois resolveu sair, e não em uma hora muito feliz, ouvia os gritos:
—Salve-se quem puder, o Arquimedes ta matando tudo que vê pela frente.
Ele já havia saído quando foi surpreendido por aquela figura assassina. Sua sorte é que “O Temível” – como também era chamado Arquimedes – estava bem ocupado degustando a sua mais nova refeição. Perto dali Astolfo via a oportunidade, não sabia se conseguiria, mas ponderava outras possibilidades que não acabariam bem. Fugir dali vivo era como os homens diriam: “acertar na loteria”. Então, pegou impulso, mirou, e lá foi.. certeiro: golpeou uma espécie de vassoura que servia como arado que possuía pontas afiadas recostada na parede um pouco atrás de Arquimedes. Ela caiu girando com a força necessária. Logo depois, a cena que se via era narrada assim pelo casal que ali passava:
—Poxa, pra você ver Ifigênia, como o mundo ta virado mesmo, veja só, aquele ratinho com todos os dentes em cima desse gato. E ele ta sangrando pra caramba hein? Impressionante.
—Poxa esse ratinho parece tão limpinho, mas dá medo, triturando com os dentes um gato desse tamanho. Foi com tanta vontade que o sangue pintou de vermelho até aquele troço ali. — apontando o instrumento fatal que havia caído ao lado depois de perfurar Arquimedes. —É, se já tinha medo de rato, até daqueles branquinhos de laboratório agora quero distância.
Foram embora deixando Astolfo duplamente feliz: por continuar vivo e por finalmente ter conseguido ser temido. 
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