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Edição 304 (27/11/08) - Garantir o futuro ou garantir o agora? PDF Imprimir E-mail
Editorial
Escrito por Rafael Reinehr   
quarta, 26 de novembro de 2008
Quantos de nós conseguimos passar um mês, uma semana, ou então quem sabe um mísero dia sem cair em contradição?

Nosso instinto mais básico, aquele da autopreservação, nos faz vibrar de prazer quando conseguimos tirar um tempo para cuidarmos da nossa “máquina”, do nosso corpo, utilizando para isso um dos melhores remédios que a Natureza ousou criar: o repouso e a contemplação.

Uma boa noite de sono, seguida por um despertar natural, sem despertador, que culmina com um equilibrado e saboroso café da manhã tem mais efeito terapêutico do que uma mão cheia de antidepressivos, ansiolíticos, hipoglicemiantes, hipolipemiantes, anti-hipertensivos e tantos outros anti-outras coisas mais (ATENÇÃO: se você está em uso de algum medicamento, por favor não o suspenda antes de falar com seu médico!).

Mesmo sabendo disso, porque muitos de nós insistem em acumular horas e mais horas de trabalho em busca da geração de riqueza e uma possível (provável?) estabilidade ou segurança financeira futura? Não falo aqui, é claro, das pessoas que necessitam trabalhar de sol a sol para garantir ao fim do dia o sustento básico e restrito para si e sua família. A estas ainda não foi dada essa escolha, pois o instinto de autopreservação necessariamente clama com vigor.

Mas e os outros tantos, trabalham para quê? Garantir o futuro, diriam alguns. Os budistas nos ensinam, com suas noções de impermanência e de desapego, que o que existe é o agora, nada mais do que o agora. O amanhã não passa de uma interessante e atraente ilusão.

Até certo ponto, podemos nos guiar por estes preceitos mas isso significa aproveitar o máximo de nossos recursos e não criar poupança alguma para o dia que virá, para a escola de nossos filhos que estão por vir, para a troca do carro no próximo ano?

De forma alguma. Isso seria radicalizar a percepção budista e nos transformar no SuperFrugal ou no UltraAsceta. É esse seu caminho, ok, vá por ele. Mas não é isso que proponho.

Ainda fico com os taoístas e seu caminho do meio. Equilíbrio e harmonia, em que armazém de idéias ideais poderemos encontrá-los?

# # #

Seja bem-vindo Washington Lemos à Nau. Que suas palavras ressoem nos sonos e retumbem nas tumbas dos leitores mais insones e moribundos desta virtual galáxia.


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Comentários
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Luiz Eduardo Ulrich  - Costumo dormir mal...   |27-11-2008 23:43:01
avatar ...mas quase sempre acordo ao natural, antes do despertador... é só o sol se insinuar que meus olhos abrem em definitivo, principalmente no verão. num dia normal, isso significa sair da cama. num dia perfeito, é só cobrir a cabeça com um segundo travesseiro e... putz, o bebê acordou!
Marcos Claudino   |28-11-2008 15:35:47
avatar Vou pelas mesmas veredas, Rafael. Evidente que, assim que o atual relativamente seguro, o futuro deve ser tratado com respeito, mas não com paranóias. senão não valerá à pena chegar até ele, certo?

Abração,

Mc
Rafael Reinehr  - Sim!     |28-11-2008 19:04:04
avatar
Lilly Falcão   |29-11-2008 14:08:46
avatar Nem tanto ao mar, nem tanto à terra...CARPE DIEM é viver bem o dia enquanto o relógio não emperra! Ao modo de nosso filósofo tribal, Millôr Fernandes! 

Grande editorial, Rafa!
Edweine Loureiro  - Lembrando um bordao...   |30-11-2008 02:00:40
avatar Saude e o que interessa. O resto... Sabio Chico (o Anysio). Belo Editorial, Rafa.
Terezinha Pasqualotto  - Mal ou bem de brasileiro   |30-11-2008 16:53:07
avatar Antigamente, dizia-se que o brasileiro tinha dois desejos básicos: ter a carteira assinada e casa própria. Eu acrescentaria mais um - a preocupação com o futuro, com o dia de amanhã, incerto e não-sabido. Pensa tanto no futuro que esquece o dia de hoje, o aqui e agora. É uma questão filosóofica fundamental! Gostei muito do editorial. Na maioria das vezes, o essencial está nas pequenas coisas. Parabéns! grata pelas idéias. Um abração, TP.
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