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Nem sempre temos inspiração para escrever. Às vezes, não temos
vontade de escrever sobre aquele tema da moda, sobre o assunto polêmico
ou sobre o que quer que seja. Nessa hora, nos pegamos fitando ao
largo, percebendo a pilha de blocos de rascunho à nossa direita; os
livros enfileirados na estante, esperando que sua solidão seja
encerrada com uma visita nossa; as revistas, os CDs, os papéis no lixo;
um violão estático retribui o olhar, como se perguntasse: -"O
que está havendo com você? Cadê aquela sua energia de tempos atrás?
Você trabalhou muito para ter cada um de nós, e agora, é isso que
merecemos? Ficarmos de lado, jogados a um canto, esquecidos?" Compromissos
se avolumam, a vida adulta chega com toda força e tira nossas defesas.
Chegamos a um tempo onde tudo parece se transformar na busca por uma
pretensa "estabilidade". Trabalhamos horas incontáveis no afã de
encontrar um ponto no futuro onde poderíamos, se quiséssemos, nunca
mais trabalhar; nossa situação econômica assim nos permitiria. Passamos
a ir dormir pensando no que fazer no dia seguinte, nos trabalhos e nos
compromissos. Muitas vezes, esquecemos de dar toda atenção que aquela
pessoa que se encontra ali, bem pertinho e que divide conosco nossas
angústias, merece. O assunto não termina. Vai, mas volta, como todos ciclos que permeiam a história deste sítio. Vou citar aqui, pela terceira vez desde outubro de 2002, Gilles Deleuze: "Não
sofremos de falta de comunicação, mas ao contrário, sofremos com todas
as forças que nos obrigam a nos exprimir quando não temos grande coisa
a dizer". E como na edição 63, de 19 de fevereiro de 2004, concluo, mais uma vez, sem medo de repetir algo que tem significado renovado nesta edição: "Valeu
Deleuzinho! Este é o Simplicíssimo um laboratório onde se misturam em
uma panela de expressão tanto o resultado das forças sociais e
culturais que nos estimulam a pensar, agir e escrever o que pensamos,
agimos e escrevemos quanto os subversivos que vivem de explosões de
espírito ou já souberam se desvencilhar em parte destas "forças
poderosas" que nos "obrigam" exprimir algo que não mereceria ser dito.
Aqui, abraçamos todos. E fodam-se os pseudo-intelectuais de plantão..." Não
parece que escrevi isso agorinha? Hummm... Muito bom olhar para trás e
ver que os ideais continuam os mesmos, apesar das intempéries que só
quem acompanha esta Nau desde o princípio pode se lembrar. Aos
novos escritores, poetas, contistas e cronistas deste Brasil varonil,
um aviso: seus textos já foram lidos, selecionados e serão publicados a
seu devido tempo. Nas últimas semanas temos tido um aumento
significativo nas colaborações tanto em prosa como em poesia e já
estamos pensado em uma forma de aumentar a publicação de ambas para que
seus textos não demorem muito a serem publicados. Novamente, fica
a lembrança de que nas próximas semanas estaremos de cara nova. Novo
layout, mais dinâmico e gostoso de navegar. E aos pseudo-intelectuais de plantão... Não esqueçam da diversão! Rafael Luiz Reinehr
PS: atentem para o belíssimo texto de Marlon Schirrmann, "A sociedade das Películas", que estréia nesta edição do Simplicíssimo.
A mediocridade do talento "Quem
entre nós não tem talento? Mesmo aqueles que nada têm, têm talento até
os políticos - até os jornalistas... Fique pois dito de uma vez para
sempre: quem me disser que eu tenho talento, ofende-me; quem me disser
que sou um homem de talento, aflige-me. Renego o vosso talento;
despejo-o com os jornais na latrina. Falo-vos claro; para mim o talento
não é senão o grau sublime da mediocridade. O talento é aquela forma
superior de inteligência que todos podem compreender, apreciar e amar.
O talento é aquela mistura saborosa de facilidade, de espírito, de
lugares-comuns afectados, de filiteísmo um tanto brilhante que agrada
às senhoras, aos professores, aos advogados, aos mundanos, às famosas
pessoas cultas, em suma, a todos os que estão meio por meio entre o céu
e a terra, entre o paraíso e o inferno, a igual distância da
animalidade profunda e do gênio grande." Giovanni Papini, em "Um homem liquidado" citação retirada do Citador

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