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Brasil, 15 de novembro de 2020. PDF Imprimir E-mail
Editorial
Escrito por Rafael Reinehr   
terça, 21 de março de 2006

O Simplicíssimo começa na próxima semana  uma campanha chamada "Propostas para um Brasil Melhor". Inspirada em uma série de editoriais veiculados pelos jornais do Grupo Sinos, traremos à tona opiniões e sugestões para serem discutidas aberta e amplamente ao longo dos próximos meses.

Através do exercício dialético de posições contrárias, podemos, quem sabe, chegar a uma síntese que satisfaça os anseios da parcela da população brasileira que se preocupa com o futuro de nosso país. Este é, desde já, um convite a você e a todos aqueles que se encaixam neste perfil: o de um cidadão que leva em consideração, nos atos mais simples do dia-a-dia, a importância de cada indivíduo na construção de um porvir melhor.

Para se engajar nesta empreitada, basta comparecer periodicamente ao Simplicíssimo e apresentar a sua opinião. Não estamos deixando de ser um sítio literário, de forma alguma. Estamos tão somente nos engajando de forma mais efetiva nos trilhos que definem o caminho que a história de nosso país irá trilhar nos anos vindouros.

Como ilustração, um exemplo de como - literariamente - podemos nos comunicar e interferir nesta área encontra-se abaixo. Engula com calma, faça a digestão e, se gases se formarem, sinta-se livre para eructar aquilo que sentir vontade. 

(Nada mais sugestivo do que começar esta campanha na edição de número 171 e, lembremos, estamos quase no dia primeiro de abril.)

 Brasil, 15 de novembro de 2020.

Brasil, 15 de novembro de 2020. Dia e ano de eleições gerais. Cinco anos após a última eleição geral, chegou a hora de novamente escolher os representantes do executivo e do legislativo a nível municipal, estadual e federal.

            Desde a mudança do sistema eleitoral, no ano de 2010, com a extensão dos mandatos de todos postos para 5 anos sem direito à reeleição para o mesmo posto no executivo e somente uma reeleição para o legislativo, muitas melhoras foram verificadas na Terra brasilis.

            Sem a possibilidade de reeleição, instituída em 1998 por emenda à Constituição e criada para favorecer claramente o presidente à época (aprovada graças ao dinheiro que grande número de deputados federais recebeu para votar pela aprovação), deixou de ocorrer um fato corriqueiro até então: o detentor do cargo utilizava, desde o momento da posse e mais intensamente no ano eleitoral da máquina pública em seu próprio favor para garantir sua reeleição, deixando em segundo plano o objetivo que deveria mantê-lo no cargo: a defesa dos interesses de seus eleitores.

            No mesmo ano de 2010, a unificação das datas eleitorais para o provimento de cargos de vereador a Presidente da República em um mesmo dia trouxe uma enorme economia que passou a beneficiar milhares de brasileiros. Quando se avaliava os gastos altíssimos de uma eleição - R$534 milhões em 2004 pelo Tribunal Superior Eleitoral na organização de eleições municipais, recursos suficientes para a construção de 89 mil casas populares – ficava claro que a situação deveria ser mudada. Levando em conta as 2 eleições ocorridas nos últimos 10 anos (2010 e 2015), os valores poupados foram incríveis, pois em 10 anos o país teve somente 2 pleitos, contra as 5 pelo sistema anterior. Com três eleições a menos, foram economizados R$1,6 bilhão, o suficiente para construir 267 mil casas populares. Se contabilizados os valores previamente gastos pelos políticos em campanhas (R$1,2 bilhão em 2004), com três eleições a menos, o valor economizado por candidatos daria para construir 600 mil casas populares.

            Além da patente economia de dinheiro, a diminuição dos pleitos levou a uma melhora significativa no andamento da máquina pública, que previamente se via parada a cada 2 anos para mergulhar em eleições. Restrições que usualmente ocorriam na realização de concursos e nomeação de candidatos concursados nos meses que antecediam os pleitos foram minimizadas, assim como a liberação de recursos orçamentários.

            Políticos de carreira foram, desta forma, gradualmente eliminados do palco eleitoral e com a perspectiva de correção de graves distorções ainda presentes, como o excessivo custo de manutenção do funcionalismo público em todas esferas, e o excesso de cargos de confiança, parecia surgir ao longe, dobrando a esquina do horizonte, uma chance, movida a velas, de melhoras possíveis na Terra brasilis.

 

PS: seja bem-vindo Alessandro Garcia, emérito eterno colunista. Volta hoje a capitanear sua Instruções para dar corda no relógio. Apesar de não deixar certa a periodicidade com que comparecerá com seus textos, é um prazer contar contigo novamente, digníssimo amigo. 


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Comentários
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claudino   |22-03-2006 06:59:03
Quem sabe realmente em 2020 teremos condições de estar comentando as melhorias relatadas. Basta lembrarmos as conseqüências dos erros em nossas escolhas eleitorais atuais, encararmos com maior seriedade a representatividade exercida por nossos atuais escolhidos, eliminando, passo a passo, os de mau desempenho, renovando com seriedade. Talvez não em 2020, mas num futuro ainda visível... Ótimas idéias, amigo Rafael.

Abraço,

Marcos Claudino
RafaelReinehr  - http://armazemdeideias.org   |22-03-2006 07:41:10
As boas idéias devem ser discutidas, melhoradas e, finalmente implementadas. De pouco adianta desenvolver as duas primeiras etapas e interromper o processo antes de colocar em prática nossos "delírios".

A partir da próxima semana, precisaremos da ajuda do maior número de pessoas para divulgar nossas propostas.

Conto contigo, amigo claudino!
LUIZ MAIA   |22-03-2006 10:37:37
Rafael,

Louvável sua atitude, caro amigo. O caso é sério, eu reconheço. Só que hoje eu vou me permitir brincar um pouco com você. Noutra oportunidade tecerei o meu comentário.

Brasília, 22 de abril de 2050

O excelentíssimo presidente do Brasil, pastor Macedinho Junior vem através deste decreto lei dizer que o dízimo pago pela população brasileira sofrerá um pequeno aumento da ordem de 100%, devido a defasagem de vários séculos sem reajuste. Esse fator contribuirá significativamente para que o país possa adentrar ao fechado círculo dos países do chamado "primeiro mundo" - ante-sala do céu.

Parágrafo único: Doravante o povo brasileiro não vai mais escolher os seus representantes, o governo é que vai escolher o seu povo, aquele que representará o país numa eventual guerra.

£ I - O salário mínimo passará a ser equivalente ao maior salário pago nas três esferas do poder, obedecendo os parâmetros de isonomia esperado pela população.

£ II - Qualquer
semelhança com a igrejinha de resultados não é mera coincidência.

Luiz Maia
RafaelReinehr  - http://armazemdeideias.org   |22-03-2006 10:43:02
:grin

Bela sacada, amigo Luiz! Algém aí se aventura a descrever o Brasil em 2087? :p

Esta história do governo escolher seu povo foi tema de algum romance, ou estou delirando? :?

Abraços fraternos, amici.
claudino   |22-03-2006 13:21:28
No sítio www.agenciacartamaior.com.br há uma coluna da seção arte e cultura onde, toda semana, um escritor emite opiniões sobre o Brasil no futuro, chamada Arqueólogo do Futuro. Caso se interessem, fiquem à vontade.

Abração,

Marcos
Rafael Reinehr  - http://armazemdeideias.org   |22-03-2006 13:43:24
Este título, Arqueólogo do Futuro, é fantástico! Obrigado pela dica, em boa hora!
Rafael Rodrigues  - http://3vozes.blogspot.com   |23-03-2006 05:31:57
Seria excelente fazer essas "eleições gerais". Mas aí pergunto: e a propaganda eleitoral? Se as eleições acontecerem todas numa época, a propaganda eleitoral tomaria um tempo bem maior do que toma hoje. E aí o setor privado perde, pois o tempo de programação das tevês seria menor. Consequentemente, teriam menos intervalos de propaganda para vender. Anunciando menos, perde a tevê e perde os anunciantes, que divulgam menos seus produtos. Isso gera perda de vendas, que gera demissões e aumento do desemprego. Deveria ser criado um canal na tevê aberta, pelo governo, exclusivamente para propagandas eleitorais. Quem quiser assistir, assiste. E, para divulgar isso, o governo anunciaria em todos os canais de tevê aberta a criação de tal canal e os horários e tudo mais. Essa idéia poderia ser colocada em prática já hoje, e não em 2020, quando se fizer necessária.
Rafael Reinehr  - http://armazemdeideias.org   |23-03-2006 08:43:51
Rafa, te preocupas com a propaganda eleitoral? Achas que a televisão brasileira depende das propagandas políticas? Acha que eles ganham pouco? Demitiriam pessoas por falta de propaganda política? Ixe! Me pareceu muito viajante esta idéia! Não sentes, desde a primeira vez que te deparou com uma propaganda política uma sensação ruim, bem lá dentro, que nunca soube explicar direito? Pois é. Tem coisa errada, sabemos. Nem sempre sabemos explicar. Intuição também deve ser seguida.
Rafael Rodrigues  - http://3vozes.blogspot.com   |23-03-2006 11:54:03
É... faz sentido.
Henrique  - http://horabsurda.blogspot.com   |28-03-2006 05:44:23
Meu velho amigo Rafael. Finalmente redescobri-te pelo google. Retomei há meses a blogação que abandonara há cerca de dois anos. Entretanto não estive parado, estive a organizar as coisas que produzira e editei na lulu.com.
Depois volto com calma mas deixo um amplexo enorme.
Rafael Reinehr  - http://armazemdeideias.org   |28-03-2006 08:09:52
Henrique! Que saudade! Muito bom que me encontraste! Voltaremos a manter diálogo amigo d'além mar (ou seria eu o amigo d'além mar?)

Grande abraço!
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