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Editorial
Escrito por Rafael Reinehr   
terça, 25 de abril de 2006

As ondas vão continuar batendo depois que a humanidade acabar.

 

         Enquanto o sistema de representação parlamentar ainda estiver vigente, já que estamos longe de amadurecer a idéia de um sistema de autogestão, devemos criar mecanismos de fiscalização das ações de nossos representantes.

         A abolição do voto secreto em todas instâncias do legislativo traria maior transparência e todos brasileiros poderiam saber se seu vereador, deputado estadual, federal ou senador está votando de acordo com o compromisso firmado na campanha eleitoral.

         A abolição da obrigatoriedade do voto por parte dos eleitores e a criação também do voto aberto (não secreto) nas Eleições Gerais, já propostas anteriormente, possibilitaria a criação de um mecanismo em que cada eleitor pudesse, durante o período do mandato do parlamentar que elegeu, não somente fiscalizar suas ações mas mesmo rescindir o mandato caso determinado percentual do eleitorado que o elegeu assim decidir. Para tanto, seria necessária a criação de um número considerável de parlamentares “reservas” ou suplentes, já que, pelo que se pinta no quadro atual, muitos dos parlamentares seriam gongados por quem o elegeu. Esse mecanismo, por si só, seria responsável tanto por um aumento das relações éticas e do respeito do parlamentar com seus compromissos de campanha, compromisso com as bases que o elegeram e também a um aumento do interesse da população com o processo eleitoral e seu seguimento, já que, de fato, algo poderia ser feito para mudar a trajetória do país antes que o barco fique à deriva, como freqüentemente ocorre quando temos que esperar o fim do mandato dos parlamentares. O cancelamento de um mandato pelo seu eleitorado claramente seria o exemplo mais forte para seus colegas que permanecessem no cargo, que, daquele momento em diante, teriam um recado claro da população para seguir.

         Da forma que o atual sistema parlamentar encontra-se enraizado, com todas toxinas, ervas-daninhas e pragas com a qual está contaminada, restam apenas duas saídas para o político honesto que se aventura no afã de melhorar a situação: entrar no “esquema” e tornar-se corrupto ou afastar-se da política. Não existe meio-termo que se mantenha.

         A democracia, da forma que supostamente funciona no Brasil serve apenas para alienar as pessoas e fazer com que as mesmas ou deixem de perceber que o sistema existe apenas para possibilitar que alguns poucos vivam ricos com o dinheiro roubado de muitos que trabalham diariamente e ainda assim passam fome ou que, anestesiados, percebam o que acontece mas não tenham forças para reagir.

         Fica a pergunta: quantos partidos ainda precisaremos ver chegar ao poder para confirmarmos que a política parlamentar, da forma que hoje está estruturada, não funciona?

         Todo mecanismo que faça com que nossos representantes realmente façam jus ao substantivo que lhes dá nome, que limite seu poder  (como a possibilidade de revogação do mandato) e que fiscalize de perto sua atuação, é extremamente bem-vindo o quanto antes.

                        # # # # # # # # # # 
 
Nesta semana damos as boas-vindas aos novos Simplinautas Ney Alexandre, um cara que pensa, logo, tem sérias dúvidas se existe e que espera encontrar no Simplicíssimo escritores de verdade e não os chinfrins que se aventuram na web; também recebemos pela primeira vez a visita de Maria Carolina Rangel Bonis, de sagitário com ascendente em câncer, estudante de Letras da PUCSP; mora em Sampa mas vive na cidade dos seus sonhos, naquela em que tudo sempre acontece da melhor forma para si e para os outros.
 
O convidado na seção Simplicíssimo Convida é o escritor Sepeense Celso Sagastume,  que em interessante ensaio analisa as características de um adolescente idiota.


Leia outros textos deste autor ou coluna:

Propostas Para Um Brasil Melhor (I de VI)
Cartas chilenas
Auto Análise
A Máquina Pública e o Sistema Político
Aurora (XIX)
Pingüim e livros
Como identificar um adolescente idiota
Comentários
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claudino   |26-04-2006 14:32:22
Caro Rafael, um excelente início seria que déssemos mais valor ao nosso voto (ainda obrigatório, eternamente). Escolhemos mal, não verificamos ou nos interessamos pelo passado, vida pública e privada do escolhido, não acompanhamos suas ações, simplesmente porque não nos lembramos pouco tempo depois.

Suas sugestões vão realmente de encontro à resolução de questões que sempre esperamos, embora o lado utópico delas seja latente, ao menos por enquanto.

Feliz mesmo fiquei com a questão da gasolina que nossos digníssimos representantes utilizam para suas empresas, usando de notas frias (declaradas publicamente, depois voltando atrás). E outro engraçadinho ainda sugeriu que se incorporassem aos salários as despesas reembolsadas... Viu como estamos longe?

Abração,

Ps: Veja uma mensagem que te mandei por e-mail (uma hoje e outra ontem), por favor.

Marcos Claudino
Rafael Reinehr  - http://armazemdeideias.org   |26-04-2006 15:56:19
Marcos, a idéia que apresentei é somente paliativa. Um dia, esse negócio todo de eleições gerais não será mais necessário e nosso voto terá valor dentro das pequenas comunidades autogeridas e federalizadas. Estou com acesso restrito à internet por estes dias, e com o Simplicíssimo enfrentando problemas técnicos, város colunistas não conseguiram enviar seus textos. Estarei tentando publicar o seu e dos colegas nas próximas horas.

Abraço.
claudino   |26-04-2006 16:21:43
Ok, Rafael, muito obrigado.

Abração,

Marcos
Luiz Eduardo   |27-04-2006 17:14:01
Desejo melhoras e pronta recuperação ao Simplicíssimo.
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