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11/05/2005 - Edição número 127
Pequenas Criaturas na Estrada Para Lugar Nenhum
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Editorial
Rafael Luiz Reinehr |
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Guanina, Adenina, Timina, Timina,
Adenina, Citosina, Adenina
Nem sempre temos inspiração para
escrever. Às vezes, não temos vontade de escrever
sobre aquele tema da moda, sobre o assunto polêmico
ou sobre o que quer que seja.
Nessa hora, nos pegamos fitando ao largo, percebendo
a pilha de blocos de rascunho à nossa direita; os livros
enfileirados na estante, esperando que sua solidão
seja encerrada com uma visita nossa; as revistas, os CDs,
os papéis no lixo; um violão estático
retribui o olhar, como se perguntasse:
-"O que está havendo com você?
Cadê aquela sua energia de tempos atrás? Você
trabalhou muito para ter cada um de nós, e agora, é
isso que merecemos? Ficarmos de lado, jogados a um canto,
esquecidos?"
Compromissos se avolumam, a vida adulta chega
com toda força e tira nossas defesas. Chegamos a um
tempo onde tudo parece se transformar na busca por uma pretensa
"estabilidade".
Trabalhamos horas incontáveis no afã
de encontrar um ponto no futuro onde poderíamos, se
quiséssemos, nunca mais trabalhar; nossa situação
econômica assim nos permitiria.
Passamos a ir dormir pensando no que fazer no
dia seguinte, nos trabalhos e nos compromissos. Muitas vezes,
esquecemos de dar toda atenção que aquela pessoa
que se encontra ali, bem pertinho e que divide conosco nossas
angústias, merece.
O assunto não termina. Vai, mas volta,
como todos ciclos que permeiam a história deste sítio.
Vou citar aqui, pela terceira vez desde outubro
de 2002, Gilles Deleuze: “Não sofremos de
falta de comunicação, mas ao contrário,
sofremos com todas as forças que nos obrigam a nos
exprimir quando não temos grande coisa a dizer”.
E como na edição
63, de 19 de fevereiro de 2004, concluo, mais uma vez,
sem medo de repetir algo que tem significado renovado nesta
edição:
"Valeu Deleuzinho! Este é o Simplicíssimo
um laboratório onde se misturam em uma panela de expressão
tanto o resultado das forças sociais e culturais que
nos estimulam a pensar, agir e escrever o que pensamos, agimos
e escrevemos quanto os subversivos que vivem de explosões
de espírito ou já souberam se desvencilhar em
parte destas “forças poderosas” que nos
“obrigam” exprimir algo que não mereceria
ser dito. Aqui, abraçamos todos. E fodam-se os pseudo-intelectuais
de plantão..."
Não parece que escrevi isso agorinha? Hummm... Muito
bom olhar para trás e ver que os ideais continuam os
mesmos, apesar das intempéries que só quem acompanha
esta Nau desde o princípio pode se lembrar.
Aos novos escritores, poetas, contistas e cronistas deste
Brasil varonil, um aviso: seus textos já foram lidos,
selecionados e serão publicados a seu devido tempo.
Nas últimas semanas temos tido um aumento significativo
nas colaborações tanto em prosa como em poesia
e já estamos pensado em uma forma de aumentar a publicação
de ambas para que seus textos não demorem muito a serem
publicados.
Novamente, fica a lembrança de que nas próximas
semanas estaremos de cara nova. Novo layout, mais dinâmico
e gostoso de navegar.
E aos pseudo-intelectuais de plantão... Não
esqueçam da diversão!
Rafael Luiz Reinehr
PS: atentem para o belíssimo
texto de Marlon Schirrmann, "A sociedade das Películas",
que estréia nesta edição do Simplicíssimo.
A mediocridade do talento
"Quem entre nós não tem
talento? Mesmo aqueles que nada têm, têm talento
até os políticos - até os jornalistas...
Fique pois dito de uma vez para sempre: quem me disser que
eu tenho talento, ofende-me; quem me disser que sou um homem
de talento, aflige-me.
Renego o vosso talento; despejo-o com os jornais na latrina.
Falo-vos claro; para mim o talento não é senão
o grau sublime da mediocridade. O talento é aquela
forma superior de inteligência que todos podem compreender,
apreciar e amar. O talento é aquela mistura saborosa
de facilidade, de espírito, de lugares-comuns afectados,
de filiteísmo um tanto brilhante que agrada às
senhoras, aos professores, aos advogados, aos mundanos, às
famosas pessoas cultas, em suma, a todos os que estão
meio por meio entre o céu e a terra, entre o paraíso
e o inferno, a igual distância da animalidade profunda
e do gênio grande."
Giovanni Papini, em "Um
homem liquidado"
citação
retirada do Citador
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A sociedade
das Películas
Marlon Schirrmann* |
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O mundo vive uma realidade que aos poucos vem
aparecendo cada vez mais na mídia e aos olhos do cidadão.
Tu já percebeste que cada vez mais as pessoas escondem-se?
Pois bem, esta é a realidade perniciosa que bate todos
os dias a nossa porta. Na década de 70 as pessoas saiam
com a família para caminhar. Iam para a Saldanha Marinho
tomar chimarrão e conversar com os amigos. Faziam questão
de aparecer nas ruas para mostrar a sua liberdade de ir e
vir. As pessoas ao passear cumprimentavam-se e passeavam tranqüilas,
mesmo com o regime totalitarista imposto, elas ainda tinham
uma certa liberdade. A liberdade, esta que me refiro, é
a de poder ir e vir sem medo de ser reconhecido, ou melhor,
de ser visto. Os carros que perambulam por estas bandas do
século XXI tem suas janelas mais escuras e o que enxerga-se
dentro deles são apenas vultos, na “sombra”.
Proteção? Lógico, mas não do sol.
Existe uma teoria que cada vez mais se enquadra a sociedade
brasileira moderna. É a chamada “Teoria das janelas
quebradas” ou broken windows theory que teve
ótimos resultados na terrinha do Tio Sam. Seguindo
uma breve explanação de seu fundamento, ela
nos conta uma história abstrata: Em um bairro um menino
atira uma pedra em uma janela de uma casa abandonada. Neste
bairro moram “pessoas de família”, honradas
e, ao qual as crianças jogam futebol na rua, tranqüilas.
Que nostalgia. Destarte, o garoto quebra aquela janela. Depois
de algum tempo a grama cresce, cada vez mais quebram-se janelas,
a casa começa a perder a pintura e a atrair mendigos.
Pessoas de má conduta rodeiam o local Torna-se sombria
e com aspecto de “sujo”, mal cuidado . Os moradores
do bairro já não sentem-se tão seguros
neste e já não deixam mais os filhos brincarem
de jogar futebol na rua. Temem os estranhos. Ficam com medo
dos novos indivíduos que agora habitam aquela casa
e tomam as ruas. Por fim os moradores, mudam-se dali. Quase
todos. Procuram outro lugar mais tranqüilo para viver.
Mais “seguro”, assim como era antes aquele bairro.
Após alguns meses, pessoas que não se intimidam
com esta situação de caos tomam o lugar dos
antigos moradores. Essas pessoas socialmente não honradas,
bêbados, tomam a rua, fanfarrões gritam na madrugada.
Pois bem. Tornou-se um bairro de marginalizados. Logo, crimes
acontecem diariamente neste bairro e a casa das janelas quebradas
é, agora, um simples alojamento que representa o monumento
do medo e da desordem. Tu irias morar neste lugar? Imagine-se.
Pois bem, veja o seguinte, com um bairro assim, onde predomina
o medo, logo espalhara o caos para outros pontos limítrofes
deste bairro e por fim contaminará toda cidade. Segundo
escrito pelo Promotor Daniel Sperb Rubin, “em
1982, o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo
criminalista George Kelling, ambos americanos, publicaram
na revista Atlantic Monthly um estudo em que, pela primeira
vez, se estabelecia uma relação de causalidade
entre desordem e criminalidade. Naquele estudo, cujo título
era The Police and Neiborghood Safety (A Policia e a Segurança
da Comunidade), os autores usaram a imagem de janelas quebradas
para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam,
aos poucos, infiltrar-se numa comunidade, causando a sua decadência
e a conseqüente queda da qualidade de vida”(1)
. Parece exagero não? Pois é, olhe pela tua
janela, sim, esta que ainda não esta quebrada, e perceba
que teu vizinho não sai mais de casa. Que o teu carro
tem películas e que na tua porta tem enormes grades
com aqueles grandes cadeados. Em algumas casas cercas elétricas,
cães ferozes e ainda, apesar de tudo, pessoas armadas
até os dentes. Mas para quê? Proteger-se lógico!
De quem? Aí vem o fundamento deste artigo. De quem?
Com o passar dos minutos nos entocamos cada vez mais dentro
de nossas casas, nos protegemos do que há lá
fora. Os que habitam o tal bairro correm livres enquanto nossa
segurança são os tais cadeados. Vivemos em uma
continua psicose ao qual nos leva a uma neurose social, ou
seja, um medo constante (estresse, nervosismo), o que muda
e muito, nosso comportamento social. Com isso pessoas mais
agressivas, menos humanas e mais descrentes nos pactos que
na revolução francesa foram criados (pactos
sociais), e que aquelas pessoas da década de 70 tanto
lutaram para nos dar. A liberdade! Leis que mantêm uma
sociedade e um Estado Democrático de Direito, por uma
lei que constitui a ação das pessoas
e do Estado, a tal de Constituição, proclamada
no ano de 1988. Essa deixou claras as intenções
do Estado e os rumos da nova sociedade que os antigos chamavam
de utopia. Essa, a intenção, era e
é a liberdade. Que liberdade. O barulho e a “anarquia”
que ronda muitas noites de Santa Maria traduzem o desrespeito
às condições de convivência em
sociedade. O descaso com a policia e com o cidadão.
Contravenções penais ou crimes considerados
de pequeno valor social são praticados diariamente.
As janelas quebram-se diariamente, e ninguém as conserta.
Adiante quebram-se outras e outras. Bêbados tomam as
ruas e algazarras tornam-se constantes. O próximo passo
é introduzirmos sistemas bloqueadores de som em nossas
janelas a fim de impedir que o som inoportuno da anarquia
entre, para podermos dormir sossegados, e assim esquecer as
algazarras que rondam adentram a madrugada.
Assim, confirmando o que tenho dito, nos enclausuramos mais
ainda em nossa tocas. Somos agora os presos, presidiários
ou prisioneiros que cumprem o regime nas próprias casas
a fim de manter os delinqüentes pro lado de fora, longe
do olhar. O delinqüente fica abaixo dos holofotes e nós
no escuro e escondidos. O combate ao crime é o grande
alvo das discussões no âmbito social, político
e jurídico, mas o que é ressaltado são
os crimes de grande amplitude, de grande ameaça social
e as pequeninas janelas continuam quebradas e sendo quebradas.
O que necessitamos é um maior enfoque às contravenções
penais ou crimes de pequena repressão do Estado, esses
que aos poucos geram crimes de maior dano social. Aqui não
me refiro aos crimes de bagatela, como roubo de galinhas para
o próprio sustento. Falo do descaso às regras
de trânsito, do desrespeito a idosos em filas de banco,
do relaxamento de imposições aos pedintes e
ébrios que tomam algumas avenidas das cidades. Do barulho
constante durante a noite. Enfim, da perturbação
ao cidadão que merece a chamada paz, sossego.
O que ocorre atualmente é que tentam cortar os galhos
de uma grande árvore chamada criminalidade, mas se
esquecem que suas raízes cada dia criam mais profundidade
e virilidade. Cada vez mais gera-se ramos e a cada galho cortado
brota-se dois ou três mais espécies e formas
de crimes. Um exemplo de repressão a estes crimes de
contravenção ocorreu nos Estados Unidos, na
cidade de Nova York, onde os policiais intensificaram suas
atenções a pequenos crimes, como pular a roleta
da estação de metrô para não pagar
o mesmo. As estatísticas mostraram que após
algumas semanas o metro teve uma grande redução
de estupros, furtos de carteiras etc. Isso por que foi intensificado
o trabalho nos pequenos crimes o que intimida os delinqüentes
impedindo-os de cometer crimes de maior potencial ofensivo.
Nosso código penal adota o que chamamos de “Direito
Penal Mínimo”. Sucintamente significa que apenas
delitos que ferem os bens jurídicos de relevante valor
ou necessários, como a vida, a propriedade etc. Como
leciona Cezar Bitencourt, “o princípio da intervenção
mínima, também conhecida como ultima ratio,
orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando
que a criminalização de uma conduta só
se legitima se constituir meio necessário para a proteção
de determinado bem jurídico ” e destarte cita
o autor mencionado “se para o restabelecimento da ordem
jurídica violada forem suficientes medidas civis ou
administrativas, são estas que devem ser empregadas
e não as penais”(2). Seria o sossego público,
a paz social e o direito a segurança, direitos de relevância
para o direito penal? Claro que sim, e apesar da inflação
legislativa onde se aplica uma pena aos casos mais ridículos
da vida, pequenos incidentes como as “janelas quebradas”
ficam impunes e sem a atenção merecida. Em consideração
final, proponho este tema a sociedade que como eu tem a utopia
dos antigos incrustada na alma. A utopia da liberdade de ir
e vir sem empecilhos e a utopia da paz social, da ordem e
do progresso. Proponho sair da caverna que Platão mencionava
em seu discurso intitulado “A caverna”, que contava
a história de pessoas que viviam de costas para o fogo
e para a entrada, podendo olhar apenas sombras, ate que alguém
descobriu o exterior e percebeu que lá fora havia um
mundo diferente do antes pensado. Devemos descobrir que vivemos
em um mundo diferente das sombras, longe do escuro e perto
da realidade, da liberdade.
Hoje no Brasil, convivemos com intoleráveis índices
de criminalidade. O “bairro” está tomado
Tiremos as grades, os cadeados. Vamos para a luz e que os
que vivem em casas abandonadas e com as “janelas quebradas”
reduzam-se äs sombras. Vamos consertar os males criados
e voltar ao bairro, aquele, nostálgico. Está
é minha utopia. Sociedade, tiremos as películas.
“A desordem é, comprovadamente, fonte de
criminalidade e deve ser rigorosamente combatida. O pensamento
que se convencionou de chamar “Direito Penal Mínimo”
peca ao considerar como dignos de proteção pela
norma penal apenas condutas que configurem atos de violência
grave exercida a pessoa, atuando portanto, apenas repressivamente,
e não preventivamente em relação a criminalidade
violenta. A norma penal deve proteger, também, aqueles
bens cuja violação gera desordem, medo e, mais
tarde, criminalidade”. Daniel Sperb Rubin,
Promotor de Justiça do RS.
(1) RUBIN, Daniel Sperb. Artigo “Janelas Quebradas,
Tolerância zero e Criminalidade”.
(2) BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal.
Volume 1. Ed. Saraiva, pg 11.
*Marlon William Schirrmann,
Acadêmico do curso de Direito da ULBRA Santa Maria
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Auto
Análise
Fabricio Pessôa |
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Comparando-me com alguma coisa
Como poderia me exemplificar?
Que características posso me dar?
Escuro como a caverna
Embaçado como a neblina
Transparente como água cristalina
Usado como a taverna
Vazio como o nada
Triste como o velório
Calmo, sereno, simplório
Sem graça como o escritório
Da velha e chata advogada.
Maltratado como escravo
Penitente como o pecador
Surrado pelo amor
Com alma cheia de dor
Flechado como o alvo
Burro, como o pateta
Insiste em amar
Sabendo que em nada vai dar
Sabendo que só vai piorar
Mas tenho que sofrer, sou poeta!
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Quando sinto
Já é domingo.
Visto uma sainha
Aquela blusa justinha
E saio direto:
- Tchau, vou ao Beto.
Cabelo cor de palha
(Meu charme não falha!)
O sapato de salto
Me deixa no alto
O corpo torneado,
Muito bronzeado,
Sempre malhado,
Com algum silicone
Justificando o nome.
E se há um oco
Vai muito reboco,
Sem contar a pintura,
Essa grande mistura
Como massa corrida
Que me deixa lisa
Como a Mona Lisa.
(Seja lá quem for
que de arte tenho horror
e nas colunas, na lista,
não consta essa bisca.)
Assim como o ar
Não me falte o Credicard
Menos ainda o celular
(Esse o número, só ligar.)
Nem a quinquilharia
Que carrego dia a dia,
Toda sempre dourada
Combinando com a pele plastificada.
Anéis, colares, pulseira,
Se exagero até piteira
E aquela tatuagem
Que me dá coragem
De mostrar o bumbum
Para qualquer um.
De conversa eu gosto
Mas também aposto
Em algum big brother
Ou no Harry Potter.
Adoro curtir a Xuxa
(Ela também é gaúcha)
E de muita leitura
Para ganhar cultura
E, quem sabe, as malas
Para a ilha de Caras.
Encerro esta parte
Do que aprecio na arte
Lendo o Alquimista
Desse grande artista
Que é genial
The best intelectual.
Aí está, sou assim,
E peço que gostem de mim
Pois é difícil pagar analista
Que só quer receber à vista.
(E esta pensão safada
que está sempre atrasada!)
Vivo bem, fora do mundo
E só me chateia, lá no fundo,
Quando o Macho Man na rua
Me cobiça e grita: - Perua!
Outono2003
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Instruções
para dar corda no relógio
Alessandro Garcia |
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Vácuos Esparsos
A marmita na mão, sentado no paralelepípedo [palavra
bonita] e os olhos perdidos em um futuro melhor. Olha pro
lado e vê um encarte do zaffari. "Hum, dois e noventa
e nove o yaculte. Quando tiver dinheiro, comprarei."
Deolar remancha e acha que não vai comer o ovo; pergunta
se eu quero. Não me faço de rogado.
****
Uma gola rulê muito, muito alta. Um vento - sim, talvez
algum vento nos cabelos, porque vento nos cabelos sempre fica
extremamente estiloso. Pode estar sentada em um café,
embora soe um pouco burguês, mas um café me parece
o cenário ideal para tais devaneios. O dono, e é
sempre ele que atende, caminha até você e nesta
hora você faz um gesto vago, sem parecer antipática
ou coisa parecida, dando a entender que por enquanto não
quer nada. Só ficar por ali e observar, um pouco. Só
um pouco, ao menos por enquanto. Ele diz que tem pedir alguma
coisa, não ligando para o seu silêncio e o seu
ar de poeta sofredora com uma caneta bic com a tampa roída
em uma mão eternamente suspensa. Você ainda tenta
lançar um olhar que revele toda a amargura existente
no seu coração enlevado, mas ele não
liga muito e coloca o cardápio na sua frente.
****
Talvez alguns poucos momentos de isolamento e nada mais será
preciso. Já terá a medida certa para julgar-se
um pouco melhor e talvez possa tecer opiniões menos
preconceituosas. Também, pouco importa. Não
capta muito bem a ordem atual dos acontecimentos, mas se mantém,
ainda assim, atento, os olhos vidrados e a respiração
compassada. Limpa o sangue em toda a volta e titubeia entre
lavar a faca na pia e levá-la consigo embrulhada em
um jornal que serve de forro para a cama da cachorrinha Pequetita.
Pequetita se manteve quietinha o tempo todo, e, para falar
a verdade, não parecia a melhor amiga do homem. Continua
estática a um canto, não se importando nem mesmo
quando tem seu jornal retirado de baixo de si. Sobe para o
sofá e ensaia uma volta em torno para afofar o lugar
antes de cair em sono profundo. As luvas! Não sabe
o que fazer com as luvas... Olha o quadro sobre o armário
e se encanta com a menina ruiva de muitas sardas. Será
que é filha? Talvez se sinta só... Poderá
pensar nisto depois, mas por enquanto precisa ainda achar
detergente no armário embaixo da pia.
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O
Mundo em Marcha!
Marcelo Adifa |
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Veja e o Jornalismo Marrom
É desnecessário citar que a imprensa
é um dos pilares de sustentação de qualquer
sistema social ou governo. Aliado à estrutura oficial
de formação educacional e à religião,
a imprensa, e os grandes meios de comunicação
que a formam podem gerar estabilidade a um governante ou provocar
verdadeiro alvoroço. Obviamente, sabemos que aquela
máxima que diz que a imprensa e a informação
são imparciais não merece crédito algum.
A mídia atende a interesses claros, de classe e posição
social. Os jornais e TVs são feitos e dirigidos no
sentido a gerar uma verdade aparente, direcionada à
dados e inequívocos interesses. Ao longo da história
pudemos ver como esse fenômeno funcionou: manifestações
de milhares de estudantes contra a ditadura militar e que
a Globo anunciava como festas no Rio e em São Paulo;
o cerceamento a artistas e intelectuais de esquerda, o caso
Collor de Mello, construído pelo fraudulento império
de Roberto Marinho. Isso somente para citarmos alguns casos.
Nesta semana que passou, por mais uma vez, o verdadeiro jornalismo,
feito por poucos, baseado na veracidade dos fatos (ou ao menos
na contraposição de verdades supostas) foi ferido.
A revista Veja, manchada de sangue marrom em seu conteúdo,
despejou nas bancas do País uma edição
com ataques sórdidos e vis ao governo de Hugo Chavéz
na Venezuela. Publicou informações falsas e
dados desatualizados ou inventados por alguma mente criativa
(resta saber se americana ou brasileira). Veja sequer procurou
ouvir adequadamente os representantes do governo deste País
irmão para compor seu texto cheio de anacronismos e
vulgaridades. Talvez nostálgica pela volta da ditadura
que tanto a favoreceu Veja produziu um arremedo de matéria,
cheia de anacronismos e boçalidades.
Não é de hoje que esse Semanário apresenta
estes ataques àqueles que pensam de uma forma diferente
da sua. Não há muito, num erro (proposital talvez)
histórico, Veja arruinou a carreira do político
gaúcho Ibsen Pinheiro; por muitos anos pendurou-se
nos galões dos militares brasileiros e de sua ditadura
inumana; flertou com torturadores e serviu a uma gama de propósitos
estranhos ao jogo democrático.
Essa matéria sobre a Venezuela e sua principal liderança
não foi diferente. Veja tem saudades da guerra fria
e a sua maneira tenta reinaugurá-la. Não há
dúvidas que esse semanário seja hoje a melhor
revista americana editada em português.
Do que uma Veja é Capaz
Tínhamos programado há certo tempo uma atividade
com o Cônsul-Geral da Venezuela, Sr. Jorge Luís
Durán Centeno, pessoa das mais próximas a Chavéz,
Capitão do Exército Venezuelano e Estadista
de grande valia. Tendo fechado a impressão de convites,
o agendamento de local, etc, eis que Veja ganha as ruas com
essa matéria espúria sobre nosso vizinho. Pudemos
observar claramente como a população local reagiu
ao arremedo jornalístico de Veja. A comunidade venezuelana
da região de Sorocaba (local onde seria realizada a
atividade) ficou arredia, a UNISO (Universidade de Sorocaba)
cancelou a cessão de seus auditórios (ela possui
seis) sem explicações. E todos, absolutamente
todos os auditórios da cidade, subitamente aparecerem
alugados. Universidades, sindicatos, espaços públicos,
todos nos cerraram as portas. De medo. Talvez para seguir
as “vejaverdades” da vida. Mais mui bem, sou teimoso
e iremos realizar a atividade com Duran nem que seja em minha
casa.
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Politicamente Correto
_ Oi, tudo... tudo... tudo ...?
_ Sim tudo... tudo... tudo. E você?
_ Também. Você viu o... o... o?
_ Ah sim, aquele teu amigo, o... o... o.
_ Isso!
_ Passou por aqui. Ele é... é ... é.
_ Aham, é... é... é. E onde ele foi?
_ Foi no ... no ... no.
_ Pôxa, no ... no ... no?
_ Isso mesmo. O que você queria com o... o... o?
_ Bater um papo sobre... sobre ... sobre.
_ Falei sobre ... sobre ... sobre, com a... a... a, que é...
é... é.
_ Que legal eu acho a... a... a, uma... uma... uma.
_ Concordo com você. Bom vou indo na... na... na, que
teremos um... um... um. Até mais.
_ Super! Não sabia que tinha... tinha... tinha, na...
na... na... Bom, vou ver se acho o... o... o, na... na...
na. Tchau!
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Projeto Necessário
Parabéns à Câmara dos Deputados
por aprovar o projeto de Lei de Biossegurança que libera
pesquisa com células-tronco. A comunidade científica
e a população comemoram o dia 2 de março
de 2005, que entrará para a história simbolizando
a libertação de pessoas deficientes, daquelas
portadoras de doenças degenerativas como o diabetes,
o mal de Parkinson, a esclerose múltipla, o mal de
Alzenhaimer etc. Com o avanço da nova medicina regenerativa,
há prenúncio de esperança no ar. O que
não é concebível é uma decisão
tão importante como essa ficarà mercê
da boa vontade de parlamentares, que, em última análise,
costumam legislar muito mais em causa própria do que
a favor dos verdadeiros anseios da população.
Desta vez a sociedade saiu vencedora porque prevaleceu a pressão
sobre os deputados, mas se o projeto fosse arquivado, atendendo
a pedidos da Igreja e de setores anacrônicos da sociedade,
o que estaríamos comemorando hoje? Fica aqui o alerta
para que todos nós sejamos partícipes das grandes
decisões deste País.
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Cada dia que passa, mais um dia que
passa...
Vou trocar você por outro absurdo. Vou trocar meu sonho
por outra realidade. Vou deixar de lado meus conceitos. Vou
trocar meus medos por palavras, meus olhares por decisões.
Vou ignorar provocações, deixar de lado quem
não me tolera. Vou te escrever, te ligar. Não
pra ti. Vou fazer ver que ninguém é insubstituível.
Que amores vão. E vão para sempre. E que amores
não são nada mais que caprichos. Vou riscar
nomes. Vou gravar outros. Outono. Não me provoquem
hoje. Hoje não.
***
Hora de recomeçar. De esquecer. De retomar. Retomar
velhos objetivos. Ir embora. Ir para não voltar, sem
culpa, sem ressentimento. Somente ir. As vezes é preciso
desistir. Hoje eu desisto. Hoje eu não quero. Hoje
eu reaprendo respirar. Hoje eu risco teu nome. Hoje eu tento
reencontrar outro caminho. Hoje eu recomeço. E volto
para o mesmo ponto.
***
Cada dia um outro dia, algo vai acontecer. Seja o que for.
Algo vai acontecer. Algo está acontecendo. Menos um
dia, mais um dia. Você escolhe qual a melhor maneira
de encarar. Você pode se esconder hoje. Pode fugir.
Hoje. Não amanhã. Ninguém foge para sempre.
Ou você pode colocar a cara para bater. Pode ir atrás
do que você quer. Claro, a gente pode cair, e agente
caí. Várias vezes. Mas ninguém aprende
a se levantar se não cair. Viver sem desafios não
é viver, é apenas contemplar. O que de vez em
quando não é de todo o mal. De vez em quando.
Se hoje é o dia, faça dele seu dia. Vá
em frente. Não se esconda demais. Se não a gente
acaba desaparecendo.
***
Parece que por um dia eu tenho outros olhos.
E esses olhos são os que me fazem continuar.
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I-Racional
Pedro Volkmann |
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Violentos Haikais 30/X
Deserto
Flor de cactus
linda, mas espinha
Faroeste 17/X
Olho para você
Não paro de enxergar
nem de te amar
Idéias
Quando pensamos em educação vem à tona
uma série de perguntas difíceis de responder.
Na verdade, algumas são impossíveis.
Como podemos saber o que cada um sabe?
A partir daí surgem os problemas. Para surpreender
uma pessoa você deve entregar alguma coisa que ela não
saiba, porém próxima o suficiente para que ela
entenda. Esta distância é determinada pela capacidade
autopoiética de cada indivíduo. Opa! Autopoiese!
Do Varela e do Maturana.
No dia-a-dia isto se torna, ao mesmo tempo, simples e complicado.
Você pode atribuir qualquer desentendimento intelectual
ao fato da pessoa ter pouca ou nenhuma capacidade de reconstrução.
Porém isto não resolve nenhum problema prático,
pois o fator crítico neste caso é chegar neste
ponto, no ponto ideal de cada uma das pessoas com as quais
você interage.
Como fazer isto se o conhecimento médio de cada pessoa
é igual sempre. O detalhe é que alguns conhecem
muito de coisas que outros desconhecem por completo.
Muito além de conhecimento, isto também tem
relação com gostos e valores. Atingir as pessoas
no ponto certo pode ser uma grande questão cultural.
Realmente, uma das principais ferramentas da cultura, a linguagem
se inter-relaciona de forma contínua com a cultura.
Além de uma não existir sem a outra, uma influencia
a velocidade que a outra sofre mudanças.
Agora, ai que está o ponto onde eu quero chegar.
O que devemos para fazer para que a forma de pensar seja diferente
é mudar a capacidade autopoiética de nossos
interlocutores.
Mudando isto, mudamos a cultura e nosso mundo.
Não pense que estou com idéias megalomaníacas,
não quero mudar o mundo, quero mudar apenas o meu mundo.
Ih! Estou de volta, cada vez mais e mais, de ré na
contramão.
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Liberdade
Vigiada
Marcos Pedroso |
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Breve.
O ruído intermitente brada
Acabou o brevíssimo momento
Quando começou já falava
Do termo e do desalento
Rápido como uma pestanejada
Instantâneo.
Fim sem meio, sem gosto
É assim não muda
Efêmero. O tempo de cobrir o rosto
Sentado. Cansado. Clamo ajuda
Sinto pesar. Na cabeceira um enrosco
Lamento.
Mas não. Hoje eu ficaria
Decidi não atender ao chamado
Decidi não acabou. Por dentro ria
Vitorioso & resolvido
Decidi mereço. Não me renderia
Minutos.
Dez momentos enfrentei
No ar refiz as agruras da batalha
Percebi era fraco, murmurei
A obrigação de andar no fio da navalha
Sentado, e ao espelho me aprumei
As ruas.
A sair sonhando com o entrar
Fraco vendido desiste cativo
Olhos embotados. O breve recostar
Boca amarga. Deixar o objetivo
Triste vou, mas, fico no altar
Multidão.
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A paixão pela literatura. Mas desde
o principio isso era pouco para que eu pudesse escrever
algo que realmente mexesse com o poeta Gabo a ponto de receber
uma resposta genuína do rapaz. Não quero aqui
sessões de concordo e discordo por causa disso, quero
algo um pouco maior. Na minha confessa ignorância,
acredito que preciso conhecê-lo antes de botar um
assunto na mesa. E foi vasculhando meus baús que
achei algumas frases perdidas... Entenda como puder.
- As pessoas muito gordas só descobrem que são
gordas o suficiente numa briga de família ou na morte.
- O meio é sempre a divisão de algo.
- Os pobres e os ricos se conhecem por família e
vêem as leis como sugestões. A classe média
não tem características especiais.
- “Na praia”
_ É assim que eles escrevem livro pai?
_ Só os mais pobres filhos.
- Censurar é ter vergonha do outro.
- A solidão feliz inveja.
- Pensar alto é transpor camadas cerebrais por adrenalina.
- As máquinas irão vencer quando finalmente
não fizerem mais barulho.
- Imagine uma pipa no Japão medieval.
- Divulgar a arte é cagar para a sociedade.
- Se a polícia tem barcos, é porque devem
existir ladrões do mar.
- Uma partida de futevôlei no século XVIII
seria regida por uma orquestra. Se tivéssemos inventado
esse esporte antes do balé, o que seria das mulheres?
- “Espírito”
_ Sou espírito! – E deu cambalhotas, fez gestos
japoneses com a mão e me olhou no olho. Em mim.
_ Sou espírito! Eu sei a vida e os pensamentos de
todo mundo.
Achei graça.
_ Sei que o diabo foi expulso do Céu! Sai daqui Satanás!
Ele foi embora pra sempre.
_ Como sabe disso?
_ Mas olha aqui, eu sou esporte! Judô, Futebol e capoeira.
Mas eu não bebo por causa do Diabo não, eu
bebo é de Jesus.
- Os extremos estão condenados a sê-los. Os
homens perfeitos sempre terão 1.80m.
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A
Semana dos Quadrinhos.
Um resumo
mundial
Marko Ajdaric
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INTERNACIONAL
100 anos de Floyd Gottfredson. E 70 do Mickey definitivo
Floyd Gottfredson: o desenhista que deu a personalidade
definitiva de Mickey, completou 100 anos nesta quinta-feira,
dia 5. Para sorte de Mickey, Floyd Gottfredson entrou na
Disney em abril de 1930, poucos meses após o próprio
Walt Disney ter criado o personagem. A arte de Floyd nas
tiras de Mickey foi tão marcante que do mês
seguinte em diante, o personagem lhe foi confiado, Assim,
em 5 de maio de 1930, no exato dia em que Floyd Gottfredson
completava 30 anos, saía a primeira tira do personagem
que rapidamente encantou o mundo. Gottfredson trabalhou
até os 70 anos, embora nunca tivesse tido o direito
de assinar as tiras, e faleceu em 1986. O centenário
teria passado em branco não fosse um belo especial
da editora alemã Ehapa, que rapidamente foi motivo
para a imprensa da Alemanha dedicar belas matérias
ao criador.
Almada: 266 fanzines na 8ª Feira Internacional
Depois de 4 anos, Almada realiza mais uma edição
da Feira Internacional do Fanzine, a oitava. E o trabalho
'de formiguinha', quase invisível acabou sendo recompensado.
A cidade portuguesa estará apreciando a maior reunião
da produção independente de quadrinhos do
mundo, de 13 a 21 de maio. Até o último informe
oficial que recebemos, no dia 4, já haviam 266 títulos
de fanzines confirmados na mostra, de 17 países,
incluindo 86 edições brasileiras
Vale destacar uma sessão especial da Tertúlia
BD de Lisboa, que acontecerá em meio ao evento. Até
onde sabemos, a Tertúlia BD é, decerto em
língua portuguesa e com muitas probabilidades de
o ser no mundo, o maior centro de reuniões de fanzineiros.
A livraria já sediou mais de 275 encontros de produtores
independentes da Nona Arte.
Morreu Zeke Zekley
Aos 90 anos, morreu o tirista americano Zeke Zekley, que
foi o auxiliar direto de George McManus na antológica
série de Pafúncio (Bringing up Father), até
a morte do criador da série, em 1954. Como o King
Features Syndicate acabou não efetivando o esperado
com o falecimento de McManus, escolhendo outro autor para
seguir as tiras de Pafúncio, Zekley acabou criando
sua própria série: Dud Dudley. Zekley ainda
fundou a editora Sponsored Comics, e o registro que ficou
de seus colegas é que foi um patrão melhor
que a King Features...
O novo Capitão América
Uma nova safra do gibi do Capitão América
está por vir, nos EUA. A Marvel confiou ao roteirista
Ed Brubaker esta tarefa. Na primeira edição,
teremos a presença do Caveira Vermelha... e mais
não contamos para evitar tirar o sabor de leitores
que não gostam de muitas antecipações.
Os indicados aos Prêmios Harvey 2005
Saiu a lista de indicados aos Prêmios Harvey (Harvey
Awards), cuja entrega acontece em 11 de junho. Com a crescente
participação do mainstream entre os indicados
aos prêmios Eisner, a atenção especial
que os Harvey tem é exatamente por conta de indicar
os bons trabalhos que são realizados por quadrinhistas
que não ocupam os maiores espaços da imprensa
geral e especializada. Não que os nomes já
reconhecidos por um público maior não figurem.
Concorrem, este ano, Alejandro Jodorowsky, Art Spiegelman,
Brad Meltzer, Brian Michael Bendis, Brian K. Vaughan, Humberto
Ramos, Jeff Smith, Garry Trudeau, Neil Gaiman e Osamu Tezuka.
Entre os indicados, ressalvamos que o canadense Seth teve
reconhecido seu trabalho não só pela monumental
reedição completa das histórias de
Charlie Brown e seus amigos em Peanuts, mas também
pelo seu minimalista e quase artesanal 'Palookaville'.
Do ponto de vista das obras que ajudam o apreciador da Nona
Arte a entender sua história e suas possibilidades,
houve uma bela e justa série de indicações
para Fantagraphics e Komikwerks.
Canadá: os vencedores do Shuster Awards
O prêmio aos melhores do ano nos quadrinhos do Canadá
- uma homenagem a Joe Shuster, um dos criadores do Superman
- revelou os vencedores de sua primeira edição.
As grandes vencedoras, no contexto geral, foram obras das
grandes editoras americanas de super-heróis, o que
evidencia a dependência do mercado de trabalho para
os artistas canadenses. Como melhor editora canadense de
HQs, foi indicada a Arcana Studios. Cerebus - de Dave Sim
e Gerhard, que também concorre aos Harvey, ganhou
um prêmio especial por seus 300 números, um
recorde absoluto na HQ canadense.
Doug Wright Awards: o outro prêmio do Canadá
Uma boa 'briga' está lançada no Canadá,
e o vencedor presumível é a arte sequencial.
Um outro prêmio, menos comentado, também tem
sua primeira edição em 2005. Homenageando
Doug Wright, quadrinhista que foi o maior protagonista canadense
de 1940 a 1980, o prêmio começa - com pés
no chão - com apenas com 2 categorias, mas que mostram
claramente a sua vocação: melhor talento emergente
e melhor obra. Os vencedores serão anunciados no
dia 28, durante o Toronto Comic Arts Festival. A lista de
indicados tem um perfil muito diferente da dos Shusters,
e privilegia a produção veiculada no Canadá.
De nenhum a 2 prêmios, é um avanço mais
que considerável, e os debates comparativos entre
as duas listas só fortalecem a compreensão
real do potencial canadense na Nona Arte.
Condorito em espanhol nos EUA
O único personagem de quadrinhos da América
do Sul a ser difundido nos EUA ganhou uma edição
de 128 páginas, totalmente em espanhol. Em 'Condorito
La Aventura Comienza', ele aparece com toda a turma, numa
iniciativa da Rayo, editora especializada no público
latino. O preço: 15 dólares.
A Planeta anuncia uma constelação
A Planeta DeAgostini anunciou já os títulos
que serão lançados no Saló 2005, em
Barcelona, que espera ter mais do que os 94.000 visitantes
de 2004.
A extensa lista é de entusiasmar vários públicos:
confira alguns dos autores incluídos: Marc Andreyko,
Sergio Aragonés, Kyle Baker, Milton Caniff, Mark
Millar, Muñoz e Sampayo, Fabian Nicienza, Alex Raymond,
Charles Schultz, Sergio Toppi e Naoki Urasawa.
Apocalypse Nerd
Peter Bagge continua sendo um dos nomes mais ativos da cena
independente, não só nos EUA como também
na Europa. Depois de Hate, seu Apocalypse Nerd, come&cc | |