Simplicíssimo
Jornal Virtual de periodicidade mutatis mutandis, mas (quase) sempre às quartas...


melhor visualizado
em 800 x 600 pixels

 
Capa
 
O Que É
Quem Faz
Como Surgiu
Fotos
- Lançamento
- Aniversário de 1 Ano
 
SimpliArquivo
- Edições
- Autores
- Colunas
- Blogs
FlashBlog
Pesquisa
 
Entrevistas
Efervescências
Desafio Simplex
Desafios anteriores
Enquetes
 
Indique
Participe
Normas de publicação
Fale Conosco
 
Links
Parcerias
 
 
Edições
 
Autores
 
Colunas
 
SimpliBlogs
 
Enquete 1:


11/05/2005 - Edição número 127

Pequenas Criaturas na Estrada Para Lugar Nenhum


 
Editorial
Editorial
Rafael Luiz Reinehr
Prima Lettera

A Sociedade das Películas
Marlon Schirrmann

Poetikaos

Auto Análise
Fabricio Pessoa

Viva a Loura
Leonel B

Tirinha
Malvados
André Dahmer
Colunas

Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

O Mundo em Marcha!
Marcelo Adifa

Parafernália
Ibbas Filho
Utopias
Luiz Maia
Lifelines
Lenne
I-Racional
Pedro Volkmann
Liberdade Vigiada
Marcos Pedroso
Vale-Tudo
Bernardo W.K.
A Semana dos Quadrinhos - Um resumo mundial
Marko Ajdaric

 

Editorial
Rafael Luiz Reinehr

Guanina, Adenina, Timina, Timina, Adenina, Citosina, Adenina

Nem sempre temos inspiração para escrever. Às vezes, não temos vontade de escrever sobre aquele tema da moda, sobre o assunto polêmico ou sobre o que quer que seja.

Nessa hora, nos pegamos fitando ao largo, percebendo a pilha de blocos de rascunho à nossa direita; os livros enfileirados na estante, esperando que sua solidão seja encerrada com uma visita nossa; as revistas, os CDs, os papéis no lixo; um violão estático retribui o olhar, como se perguntasse:

-"O que está havendo com você? Cadê aquela sua energia de tempos atrás? Você trabalhou muito para ter cada um de nós, e agora, é isso que merecemos? Ficarmos de lado, jogados a um canto, esquecidos?"

Compromissos se avolumam, a vida adulta chega com toda força e tira nossas defesas. Chegamos a um tempo onde tudo parece se transformar na busca por uma pretensa "estabilidade".

Trabalhamos horas incontáveis no afã de encontrar um ponto no futuro onde poderíamos, se quiséssemos, nunca mais trabalhar; nossa situação econômica assim nos permitiria.

Passamos a ir dormir pensando no que fazer no dia seguinte, nos trabalhos e nos compromissos. Muitas vezes, esquecemos de dar toda atenção que aquela pessoa que se encontra ali, bem pertinho e que divide conosco nossas angústias, merece.

O assunto não termina. Vai, mas volta, como todos ciclos que permeiam a história deste sítio.

Vou citar aqui, pela terceira vez desde outubro de 2002, Gilles Deleuze: “Não sofremos de falta de comunicação, mas ao contrário, sofremos com todas as forças que nos obrigam a nos exprimir quando não temos grande coisa a dizer”.

E como na edição 63, de 19 de fevereiro de 2004, concluo, mais uma vez, sem medo de repetir algo que tem significado renovado nesta edição:

"Valeu Deleuzinho! Este é o Simplicíssimo um laboratório onde se misturam em uma panela de expressão tanto o resultado das forças sociais e culturais que nos estimulam a pensar, agir e escrever o que pensamos, agimos e escrevemos quanto os subversivos que vivem de explosões de espírito ou já souberam se desvencilhar em parte destas “forças poderosas” que nos “obrigam” exprimir algo que não mereceria ser dito. Aqui, abraçamos todos. E fodam-se os pseudo-intelectuais de plantão..."

Não parece que escrevi isso agorinha? Hummm... Muito bom olhar para trás e ver que os ideais continuam os mesmos, apesar das intempéries que só quem acompanha esta Nau desde o princípio pode se lembrar.

Aos novos escritores, poetas, contistas e cronistas deste Brasil varonil, um aviso: seus textos já foram lidos, selecionados e serão publicados a seu devido tempo. Nas últimas semanas temos tido um aumento significativo nas colaborações tanto em prosa como em poesia e já estamos pensado em uma forma de aumentar a publicação de ambas para que seus textos não demorem muito a serem publicados.

Novamente, fica a lembrança de que nas próximas semanas estaremos de cara nova. Novo layout, mais dinâmico e gostoso de navegar.

E aos pseudo-intelectuais de plantão... Não esqueçam da diversão!

Rafael Luiz Reinehr

PS: atentem para o belíssimo texto de Marlon Schirrmann, "A sociedade das Películas", que estréia nesta edição do Simplicíssimo.

A mediocridade do talento

"Quem entre nós não tem talento? Mesmo aqueles que nada têm, têm talento até os políticos - até os jornalistas... Fique pois dito de uma vez para sempre: quem me disser que eu tenho talento, ofende-me; quem me disser que sou um homem de talento, aflige-me.
Renego o vosso talento; despejo-o com os jornais na latrina. Falo-vos claro; para mim o talento não é senão o grau sublime da mediocridade. O talento é aquela forma superior de inteligência que todos podem compreender, apreciar e amar. O talento é aquela mistura saborosa de facilidade, de espírito, de lugares-comuns afectados, de filiteísmo um tanto brilhante que agrada às senhoras, aos professores, aos advogados, aos mundanos, às famosas pessoas cultas, em suma, a todos os que estão meio por meio entre o céu e a terra, entre o paraíso e o inferno, a igual distância da animalidade profunda e do gênio grande.
"

Giovanni Papini, em "Um homem liquidado"

citação retirada do Citador

Línques relacionados:
Escrever Por Escrever
Metáphoras

 

Comente este texto - 019 leitores comentaram.

subir

A sociedade das Películas
Marlon Schirrmann*

O mundo vive uma realidade que aos poucos vem aparecendo cada vez mais na mídia e aos olhos do cidadão. Tu já percebeste que cada vez mais as pessoas escondem-se? Pois bem, esta é a realidade perniciosa que bate todos os dias a nossa porta. Na década de 70 as pessoas saiam com a família para caminhar. Iam para a Saldanha Marinho tomar chimarrão e conversar com os amigos. Faziam questão de aparecer nas ruas para mostrar a sua liberdade de ir e vir. As pessoas ao passear cumprimentavam-se e passeavam tranqüilas, mesmo com o regime totalitarista imposto, elas ainda tinham uma certa liberdade. A liberdade, esta que me refiro, é a de poder ir e vir sem medo de ser reconhecido, ou melhor, de ser visto. Os carros que perambulam por estas bandas do século XXI tem suas janelas mais escuras e o que enxerga-se dentro deles são apenas vultos, na “sombra”. Proteção? Lógico, mas não do sol. Existe uma teoria que cada vez mais se enquadra a sociedade brasileira moderna. É a chamada “Teoria das janelas quebradas” ou broken windows theory que teve ótimos resultados na terrinha do Tio Sam. Seguindo uma breve explanação de seu fundamento, ela nos conta uma história abstrata: Em um bairro um menino atira uma pedra em uma janela de uma casa abandonada. Neste bairro moram “pessoas de família”, honradas e, ao qual as crianças jogam futebol na rua, tranqüilas. Que nostalgia. Destarte, o garoto quebra aquela janela. Depois de algum tempo a grama cresce, cada vez mais quebram-se janelas, a casa começa a perder a pintura e a atrair mendigos. Pessoas de má conduta rodeiam o local Torna-se sombria e com aspecto de “sujo”, mal cuidado . Os moradores do bairro já não sentem-se tão seguros neste e já não deixam mais os filhos brincarem de jogar futebol na rua. Temem os estranhos. Ficam com medo dos novos indivíduos que agora habitam aquela casa e tomam as ruas. Por fim os moradores, mudam-se dali. Quase todos. Procuram outro lugar mais tranqüilo para viver. Mais “seguro”, assim como era antes aquele bairro. Após alguns meses, pessoas que não se intimidam com esta situação de caos tomam o lugar dos antigos moradores. Essas pessoas socialmente não honradas, bêbados, tomam a rua, fanfarrões gritam na madrugada. Pois bem. Tornou-se um bairro de marginalizados. Logo, crimes acontecem diariamente neste bairro e a casa das janelas quebradas é, agora, um simples alojamento que representa o monumento do medo e da desordem. Tu irias morar neste lugar? Imagine-se. Pois bem, veja o seguinte, com um bairro assim, onde predomina o medo, logo espalhara o caos para outros pontos limítrofes deste bairro e por fim contaminará toda cidade. Segundo escrito pelo Promotor Daniel Sperb Rubin, “em 1982, o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminalista George Kelling, ambos americanos, publicaram na revista Atlantic Monthly um estudo em que, pela primeira vez, se estabelecia uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Naquele estudo, cujo título era The Police and Neiborghood Safety (A Policia e a Segurança da Comunidade), os autores usaram a imagem de janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se numa comunidade, causando a sua decadência e a conseqüente queda da qualidade de vida”(1) . Parece exagero não? Pois é, olhe pela tua janela, sim, esta que ainda não esta quebrada, e perceba que teu vizinho não sai mais de casa. Que o teu carro tem películas e que na tua porta tem enormes grades com aqueles grandes cadeados. Em algumas casas cercas elétricas, cães ferozes e ainda, apesar de tudo, pessoas armadas até os dentes. Mas para quê? Proteger-se lógico! De quem? Aí vem o fundamento deste artigo. De quem? Com o passar dos minutos nos entocamos cada vez mais dentro de nossas casas, nos protegemos do que há lá fora. Os que habitam o tal bairro correm livres enquanto nossa segurança são os tais cadeados. Vivemos em uma continua psicose ao qual nos leva a uma neurose social, ou seja, um medo constante (estresse, nervosismo), o que muda e muito, nosso comportamento social. Com isso pessoas mais agressivas, menos humanas e mais descrentes nos pactos que na revolução francesa foram criados (pactos sociais), e que aquelas pessoas da década de 70 tanto lutaram para nos dar. A liberdade! Leis que mantêm uma sociedade e um Estado Democrático de Direito, por uma lei que constitui a ação das pessoas e do Estado, a tal de Constituição, proclamada no ano de 1988. Essa deixou claras as intenções do Estado e os rumos da nova sociedade que os antigos chamavam de utopia. Essa, a intenção, era e é a liberdade. Que liberdade. O barulho e a “anarquia” que ronda muitas noites de Santa Maria traduzem o desrespeito às condições de convivência em sociedade. O descaso com a policia e com o cidadão. Contravenções penais ou crimes considerados de pequeno valor social são praticados diariamente. As janelas quebram-se diariamente, e ninguém as conserta. Adiante quebram-se outras e outras. Bêbados tomam as ruas e algazarras tornam-se constantes. O próximo passo é introduzirmos sistemas bloqueadores de som em nossas janelas a fim de impedir que o som inoportuno da anarquia entre, para podermos dormir sossegados, e assim esquecer as algazarras que rondam adentram a madrugada.
Assim, confirmando o que tenho dito, nos enclausuramos mais ainda em nossa tocas. Somos agora os presos, presidiários ou prisioneiros que cumprem o regime nas próprias casas a fim de manter os delinqüentes pro lado de fora, longe do olhar. O delinqüente fica abaixo dos holofotes e nós no escuro e escondidos. O combate ao crime é o grande alvo das discussões no âmbito social, político e jurídico, mas o que é ressaltado são os crimes de grande amplitude, de grande ameaça social e as pequeninas janelas continuam quebradas e sendo quebradas. O que necessitamos é um maior enfoque às contravenções penais ou crimes de pequena repressão do Estado, esses que aos poucos geram crimes de maior dano social. Aqui não me refiro aos crimes de bagatela, como roubo de galinhas para o próprio sustento. Falo do descaso às regras de trânsito, do desrespeito a idosos em filas de banco, do relaxamento de imposições aos pedintes e ébrios que tomam algumas avenidas das cidades. Do barulho constante durante a noite. Enfim, da perturbação ao cidadão que merece a chamada paz, sossego.
O que ocorre atualmente é que tentam cortar os galhos de uma grande árvore chamada criminalidade, mas se esquecem que suas raízes cada dia criam mais profundidade e virilidade. Cada vez mais gera-se ramos e a cada galho cortado brota-se dois ou três mais espécies e formas de crimes. Um exemplo de repressão a estes crimes de contravenção ocorreu nos Estados Unidos, na cidade de Nova York, onde os policiais intensificaram suas atenções a pequenos crimes, como pular a roleta da estação de metrô para não pagar o mesmo. As estatísticas mostraram que após algumas semanas o metro teve uma grande redução de estupros, furtos de carteiras etc. Isso por que foi intensificado o trabalho nos pequenos crimes o que intimida os delinqüentes impedindo-os de cometer crimes de maior potencial ofensivo.
Nosso código penal adota o que chamamos de “Direito Penal Mínimo”. Sucintamente significa que apenas delitos que ferem os bens jurídicos de relevante valor ou necessários, como a vida, a propriedade etc. Como leciona Cezar Bitencourt, “o princípio da intervenção mínima, também conhecida como ultima ratio, orienta e limita o poder incriminador do Estado, preconizando que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio necessário para a proteção de determinado bem jurídico ” e destarte cita o autor mencionado “se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais”(2). Seria o sossego público, a paz social e o direito a segurança, direitos de relevância para o direito penal? Claro que sim, e apesar da inflação legislativa onde se aplica uma pena aos casos mais ridículos da vida, pequenos incidentes como as “janelas quebradas” ficam impunes e sem a atenção merecida. Em consideração final, proponho este tema a sociedade que como eu tem a utopia dos antigos incrustada na alma. A utopia da liberdade de ir e vir sem empecilhos e a utopia da paz social, da ordem e do progresso. Proponho sair da caverna que Platão mencionava em seu discurso intitulado “A caverna”, que contava a história de pessoas que viviam de costas para o fogo e para a entrada, podendo olhar apenas sombras, ate que alguém descobriu o exterior e percebeu que lá fora havia um mundo diferente do antes pensado. Devemos descobrir que vivemos em um mundo diferente das sombras, longe do escuro e perto da realidade, da liberdade.
Hoje no Brasil, convivemos com intoleráveis índices de criminalidade. O “bairro” está tomado
Tiremos as grades, os cadeados. Vamos para a luz e que os que vivem em casas abandonadas e com as “janelas quebradas” reduzam-se äs sombras. Vamos consertar os males criados e voltar ao bairro, aquele, nostálgico. Está é minha utopia. Sociedade, tiremos as películas.

“A desordem é, comprovadamente, fonte de criminalidade e deve ser rigorosamente combatida. O pensamento que se convencionou de chamar “Direito Penal Mínimo” peca ao considerar como dignos de proteção pela norma penal apenas condutas que configurem atos de violência grave exercida a pessoa, atuando portanto, apenas repressivamente, e não preventivamente em relação a criminalidade violenta. A norma penal deve proteger, também, aqueles bens cuja violação gera desordem, medo e, mais tarde, criminalidade”. Daniel Sperb Rubin, Promotor de Justiça do RS.

(1) RUBIN, Daniel Sperb. Artigo “Janelas Quebradas, Tolerância zero e Criminalidade”.

(2) BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Volume 1. Ed. Saraiva, pg 11.

*Marlon William Schirrmann,
Acadêmico do curso de Direito da ULBRA Santa Maria

Comente este texto - 011 leitores comentaram.

subir

 

Auto Análise
Fabricio Pessôa


Comparando-me com alguma coisa
Como poderia me exemplificar?
Que características posso me dar?
Escuro como a caverna
Embaçado como a neblina
Transparente como água cristalina
Usado como a taverna
Vazio como o nada
Triste como o velório
Calmo, sereno, simplório
Sem graça como o escritório
Da velha e chata advogada.
Maltratado como escravo
Penitente como o pecador
Surrado pelo amor
Com alma cheia de dor
Flechado como o alvo
Burro, como o pateta
Insiste em amar
Sabendo que em nada vai dar
Sabendo que só vai piorar
Mas tenho que sofrer, sou poeta!


Comente este texto - 010 leitores comentaram.

 

subir

Viva a Loura
Leonel B

Quando sinto
Já é domingo.
Visto uma sainha
Aquela blusa justinha
E saio direto:
- Tchau, vou ao Beto.
Cabelo cor de palha
(Meu charme não falha!)
O sapato de salto
Me deixa no alto
O corpo torneado,
Muito bronzeado,
Sempre malhado,
Com algum silicone
Justificando o nome.
E se há um oco
Vai muito reboco,
Sem contar a pintura,
Essa grande mistura
Como massa corrida
Que me deixa lisa
Como a Mona Lisa.
(Seja lá quem for
que de arte tenho horror
e nas colunas, na lista,
não consta essa bisca.)
Assim como o ar
Não me falte o Credicard
Menos ainda o celular
(Esse o número, só ligar.)
Nem a quinquilharia
Que carrego dia a dia,
Toda sempre dourada
Combinando com a pele plastificada.
Anéis, colares, pulseira,
Se exagero até piteira

E aquela tatuagem
Que me dá coragem
De mostrar o bumbum
Para qualquer um.
De conversa eu gosto
Mas também aposto
Em algum big brother
Ou no Harry Potter.
Adoro curtir a Xuxa
(Ela também é gaúcha)
E de muita leitura
Para ganhar cultura
E, quem sabe, as malas
Para a ilha de Caras.
Encerro esta parte
Do que aprecio na arte
Lendo o Alquimista
Desse grande artista
Que é genial
The best intelectual.
Aí está, sou assim,
E peço que gostem de mim
Pois é difícil pagar analista
Que só quer receber à vista.
(E esta pensão safada
que está sempre atrasada!)
Vivo bem, fora do mundo
E só me chateia, lá no fundo,
Quando o Macho Man na rua
Me cobiça e grita: - Perua!

Outono2003

Comente este texto - 02 leitores comentaram.

subir

 

 

Malvados
André Dahmer


Clique aqui para ampliar

Línques relacionados:
Malvados
 
Comente este texto - 01 leitores comentaram.

subir

 


Instruções para dar corda no relógio
Alessandro Garcia

Vácuos Esparsos

A marmita na mão, sentado no paralelepípedo [palavra bonita] e os olhos perdidos em um futuro melhor. Olha pro lado e vê um encarte do zaffari. "Hum, dois e noventa e nove o yaculte. Quando tiver dinheiro, comprarei." Deolar remancha e acha que não vai comer o ovo; pergunta se eu quero. Não me faço de rogado.

****

Uma gola rulê muito, muito alta. Um vento - sim, talvez algum vento nos cabelos, porque vento nos cabelos sempre fica extremamente estiloso. Pode estar sentada em um café, embora soe um pouco burguês, mas um café me parece o cenário ideal para tais devaneios. O dono, e é sempre ele que atende, caminha até você e nesta hora você faz um gesto vago, sem parecer antipática ou coisa parecida, dando a entender que por enquanto não quer nada. Só ficar por ali e observar, um pouco. Só um pouco, ao menos por enquanto. Ele diz que tem pedir alguma coisa, não ligando para o seu silêncio e o seu ar de poeta sofredora com uma caneta bic com a tampa roída em uma mão eternamente suspensa. Você ainda tenta lançar um olhar que revele toda a amargura existente no seu coração enlevado, mas ele não liga muito e coloca o cardápio na sua frente.

****

Talvez alguns poucos momentos de isolamento e nada mais será preciso. Já terá a medida certa para julgar-se um pouco melhor e talvez possa tecer opiniões menos preconceituosas. Também, pouco importa. Não capta muito bem a ordem atual dos acontecimentos, mas se mantém, ainda assim, atento, os olhos vidrados e a respiração compassada. Limpa o sangue em toda a volta e titubeia entre lavar a faca na pia e levá-la consigo embrulhada em um jornal que serve de forro para a cama da cachorrinha Pequetita. Pequetita se manteve quietinha o tempo todo, e, para falar a verdade, não parecia a melhor amiga do homem. Continua estática a um canto, não se importando nem mesmo quando tem seu jornal retirado de baixo de si. Sobe para o sofá e ensaia uma volta em torno para afofar o lugar antes de cair em sono profundo. As luvas! Não sabe o que fazer com as luvas... Olha o quadro sobre o armário e se encanta com a menina ruiva de muitas sardas. Será que é filha? Talvez se sinta só... Poderá pensar nisto depois, mas por enquanto precisa ainda achar detergente no armário embaixo da pia.


Comente este texto - 01 leitores comentaram.

subir


O Mundo em Marcha!
Marcelo Adifa

Veja e o Jornalismo Marrom

É desnecessário citar que a imprensa é um dos pilares de sustentação de qualquer sistema social ou governo. Aliado à estrutura oficial de formação educacional e à religião, a imprensa, e os grandes meios de comunicação que a formam podem gerar estabilidade a um governante ou provocar verdadeiro alvoroço. Obviamente, sabemos que aquela máxima que diz que a imprensa e a informação são imparciais não merece crédito algum. A mídia atende a interesses claros, de classe e posição social. Os jornais e TVs são feitos e dirigidos no sentido a gerar uma verdade aparente, direcionada à dados e inequívocos interesses. Ao longo da história pudemos ver como esse fenômeno funcionou: manifestações de milhares de estudantes contra a ditadura militar e que a Globo anunciava como festas no Rio e em São Paulo; o cerceamento a artistas e intelectuais de esquerda, o caso Collor de Mello, construído pelo fraudulento império de Roberto Marinho. Isso somente para citarmos alguns casos.

Nesta semana que passou, por mais uma vez, o verdadeiro jornalismo, feito por poucos, baseado na veracidade dos fatos (ou ao menos na contraposição de verdades supostas) foi ferido. A revista Veja, manchada de sangue marrom em seu conteúdo, despejou nas bancas do País uma edição com ataques sórdidos e vis ao governo de Hugo Chavéz na Venezuela. Publicou informações falsas e dados desatualizados ou inventados por alguma mente criativa (resta saber se americana ou brasileira). Veja sequer procurou ouvir adequadamente os representantes do governo deste País irmão para compor seu texto cheio de anacronismos e vulgaridades. Talvez nostálgica pela volta da ditadura que tanto a favoreceu Veja produziu um arremedo de matéria, cheia de anacronismos e boçalidades.

Não é de hoje que esse Semanário apresenta estes ataques àqueles que pensam de uma forma diferente da sua. Não há muito, num erro (proposital talvez) histórico, Veja arruinou a carreira do político gaúcho Ibsen Pinheiro; por muitos anos pendurou-se nos galões dos militares brasileiros e de sua ditadura inumana; flertou com torturadores e serviu a uma gama de propósitos estranhos ao jogo democrático.

Essa matéria sobre a Venezuela e sua principal liderança não foi diferente. Veja tem saudades da guerra fria e a sua maneira tenta reinaugurá-la. Não há dúvidas que esse semanário seja hoje a melhor revista americana editada em português.

Do que uma Veja é Capaz

Tínhamos programado há certo tempo uma atividade com o Cônsul-Geral da Venezuela, Sr. Jorge Luís Durán Centeno, pessoa das mais próximas a Chavéz, Capitão do Exército Venezuelano e Estadista de grande valia. Tendo fechado a impressão de convites, o agendamento de local, etc, eis que Veja ganha as ruas com essa matéria espúria sobre nosso vizinho. Pudemos observar claramente como a população local reagiu ao arremedo jornalístico de Veja. A comunidade venezuelana da região de Sorocaba (local onde seria realizada a atividade) ficou arredia, a UNISO (Universidade de Sorocaba) cancelou a cessão de seus auditórios (ela possui seis) sem explicações. E todos, absolutamente todos os auditórios da cidade, subitamente aparecerem alugados. Universidades, sindicatos, espaços públicos, todos nos cerraram as portas. De medo. Talvez para seguir as “vejaverdades” da vida. Mais mui bem, sou teimoso e iremos realizar a atividade com Duran nem que seja em minha casa.

Comente este texto - 04 leitores comentaram.

subir



Parafernália
Ibbas Filho

Politicamente Correto

_ Oi, tudo... tudo... tudo ...?
_ Sim tudo... tudo... tudo. E você?
_ Também. Você viu o... o... o?
_ Ah sim, aquele teu amigo, o... o... o.
_ Isso!
_ Passou por aqui. Ele é... é ... é.
_ Aham, é... é... é. E onde ele foi?
_ Foi no ... no ... no.
_ Pôxa, no ... no ... no?
_ Isso mesmo. O que você queria com o... o... o?
_ Bater um papo sobre... sobre ... sobre.
_ Falei sobre ... sobre ... sobre, com a... a... a, que é... é... é.
_ Que legal eu acho a... a... a, uma... uma... uma.
_ Concordo com você. Bom vou indo na... na... na, que teremos um... um... um. Até mais.
_ Super! Não sabia que tinha... tinha... tinha, na... na... na... Bom, vou ver se acho o... o... o, na... na... na. Tchau!

Comente este texto - 010 leitores comentaram.

subir

Utopias
Luiz Maia

Projeto Necessário

Parabéns à Câmara dos Deputados por aprovar o projeto de Lei de Biossegurança que libera pesquisa com células-tronco. A comunidade científica e a população comemoram o dia 2 de março de 2005, que entrará para a história simbolizando a libertação de pessoas deficientes, daquelas portadoras de doenças degenerativas como o diabetes, o mal de Parkinson, a esclerose múltipla, o mal de Alzenhaimer etc. Com o avanço da nova medicina regenerativa, há prenúncio de esperança no ar. O que não é concebível é uma decisão tão importante como essa ficarà mercê da boa vontade de parlamentares, que, em última análise, costumam legislar muito mais em causa própria do que a favor dos verdadeiros anseios da população. Desta vez a sociedade saiu vencedora porque prevaleceu a pressão sobre os deputados, mas se o projeto fosse arquivado, atendendo a pedidos da Igreja e de setores anacrônicos da sociedade, o que estaríamos comemorando hoje? Fica aqui o alerta para que todos nós sejamos partícipes das grandes decisões deste País.

Línques relacionados:
Luiz Maia

Comente este texto - 03 leitores comentaram.

subir

 

Lifelines
Lenne

Cada dia que passa, mais um dia que passa...

Vou trocar você por outro absurdo. Vou trocar meu sonho por outra realidade. Vou deixar de lado meus conceitos. Vou trocar meus medos por palavras, meus olhares por decisões. Vou ignorar provocações, deixar de lado quem não me tolera. Vou te escrever, te ligar. Não pra ti. Vou fazer ver que ninguém é insubstituível. Que amores vão. E vão para sempre. E que amores não são nada mais que caprichos. Vou riscar nomes. Vou gravar outros. Outono. Não me provoquem hoje. Hoje não.

***

Hora de recomeçar. De esquecer. De retomar. Retomar velhos objetivos. Ir embora. Ir para não voltar, sem culpa, sem ressentimento. Somente ir. As vezes é preciso desistir. Hoje eu desisto. Hoje eu não quero. Hoje eu reaprendo respirar. Hoje eu risco teu nome. Hoje eu tento reencontrar outro caminho. Hoje eu recomeço. E volto para o mesmo ponto.

***

Cada dia um outro dia, algo vai acontecer. Seja o que for. Algo vai acontecer. Algo está acontecendo. Menos um dia, mais um dia. Você escolhe qual a melhor maneira de encarar. Você pode se esconder hoje. Pode fugir. Hoje. Não amanhã. Ninguém foge para sempre. Ou você pode colocar a cara para bater. Pode ir atrás do que você quer. Claro, a gente pode cair, e agente caí. Várias vezes. Mas ninguém aprende a se levantar se não cair. Viver sem desafios não é viver, é apenas contemplar. O que de vez em quando não é de todo o mal. De vez em quando. Se hoje é o dia, faça dele seu dia. Vá em frente. Não se esconda demais. Se não a gente acaba desaparecendo.

***

Parece que por um dia eu tenho outros olhos.
E esses olhos são os que me fazem continuar.


Línques relacionados:
Lifelines

Comente este texto - 05 leitores comentaram.

subir

 

I-Racional
Pedro Volkmann

Violentos Haikais 30/X

Deserto
Flor de cactus
linda, mas espinha

Faroeste 17/X

Olho para você
Não paro de enxergar
nem de te amar

Idéias

Quando pensamos em educação vem à tona uma série de perguntas difíceis de responder. Na verdade, algumas são impossíveis.
Como podemos saber o que cada um sabe?
A partir daí surgem os problemas. Para surpreender uma pessoa você deve entregar alguma coisa que ela não saiba, porém próxima o suficiente para que ela entenda. Esta distância é determinada pela capacidade autopoiética de cada indivíduo. Opa! Autopoiese! Do Varela e do Maturana.
No dia-a-dia isto se torna, ao mesmo tempo, simples e complicado. Você pode atribuir qualquer desentendimento intelectual ao fato da pessoa ter pouca ou nenhuma capacidade de reconstrução.
Porém isto não resolve nenhum problema prático, pois o fator crítico neste caso é chegar neste ponto, no ponto ideal de cada uma das pessoas com as quais você interage.
Como fazer isto se o conhecimento médio de cada pessoa é igual sempre. O detalhe é que alguns conhecem muito de coisas que outros desconhecem por completo.
Muito além de conhecimento, isto também tem relação com gostos e valores. Atingir as pessoas no ponto certo pode ser uma grande questão cultural.
Realmente, uma das principais ferramentas da cultura, a linguagem se inter-relaciona de forma contínua com a cultura. Além de uma não existir sem a outra, uma influencia a velocidade que a outra sofre mudanças.
Agora, ai que está o ponto onde eu quero chegar.
O que devemos para fazer para que a forma de pensar seja diferente é mudar a capacidade autopoiética de nossos interlocutores.
Mudando isto, mudamos a cultura e nosso mundo.
Não pense que estou com idéias megalomaníacas, não quero mudar o mundo, quero mudar apenas o meu mundo.

Ih! Estou de volta, cada vez mais e mais, de ré na contramão.

Comente este texto - 05 leitores comentaram.

subir

 

 

Liberdade Vigiada
Marcos Pedroso

Breve.

O ruído intermitente brada

Acabou o brevíssimo momento

Quando começou já falava

Do termo e do desalento

Rápido como uma pestanejada

Instantâneo.

Fim sem meio, sem gosto

É assim não muda

Efêmero. O tempo de cobrir o rosto

Sentado. Cansado. Clamo ajuda

Sinto pesar. Na cabeceira um enrosco

Lamento.

Mas não. Hoje eu ficaria

Decidi não atender ao chamado

Decidi não acabou. Por dentro ria

Vitorioso & resolvido

Decidi mereço. Não me renderia

Minutos.

Dez momentos enfrentei

No ar refiz as agruras da batalha

Percebi era fraco, murmurei

A obrigação de andar no fio da navalha

Sentado, e ao espelho me aprumei

As ruas.

A sair sonhando com o entrar

Fraco vendido desiste cativo

Olhos embotados. O breve recostar

Boca amarga. Deixar o objetivo

Triste vou, mas, fico no altar

Multidão.

Comente este texto - 05 leitores comentaram.

subir

 

Vale-Tudo
Bernardo W.K.

A paixão pela literatura. Mas desde o principio isso era pouco para que eu pudesse escrever algo que realmente mexesse com o poeta Gabo a ponto de receber uma resposta genuína do rapaz. Não quero aqui sessões de concordo e discordo por causa disso, quero algo um pouco maior. Na minha confessa ignorância, acredito que preciso conhecê-lo antes de botar um assunto na mesa. E foi vasculhando meus baús que achei algumas frases perdidas... Entenda como puder.

- As pessoas muito gordas só descobrem que são gordas o suficiente numa briga de família ou na morte.

- O meio é sempre a divisão de algo.

- Os pobres e os ricos se conhecem por família e vêem as leis como sugestões. A classe média não tem características especiais.

- “Na praia”
_ É assim que eles escrevem livro pai?
_ Só os mais pobres filhos.

- Censurar é ter vergonha do outro.

- A solidão feliz inveja.

- Pensar alto é transpor camadas cerebrais por adrenalina.

- As máquinas irão vencer quando finalmente não fizerem mais barulho.

- Imagine uma pipa no Japão medieval.

- Divulgar a arte é cagar para a sociedade.

- Se a polícia tem barcos, é porque devem existir ladrões do mar.

- Uma partida de futevôlei no século XVIII seria regida por uma orquestra. Se tivéssemos inventado esse esporte antes do balé, o que seria das mulheres?

- “Espírito”
_ Sou espírito! – E deu cambalhotas, fez gestos japoneses com a mão e me olhou no olho. Em mim.
_ Sou espírito! Eu sei a vida e os pensamentos de todo mundo.
Achei graça.
_ Sei que o diabo foi expulso do Céu! Sai daqui Satanás! Ele foi embora pra sempre.
_ Como sabe disso?
_ Mas olha aqui, eu sou esporte! Judô, Futebol e capoeira. Mas eu não bebo por causa do Diabo não, eu bebo é de Jesus.

- Os extremos estão condenados a sê-los. Os homens perfeitos sempre terão 1.80m.

Línques relacionados:
O Literato
puta / karma / cox / coma

 

Comente este texto - 06 leitores comentaram.

subir

 

 

A Semana dos Quadrinhos.
                            Um resumo mundial

Marko Ajdaric

 

INTERNACIONAL

100 anos de Floyd Gottfredson. E 70 do Mickey definitivo

Floyd Gottfredson: o desenhista que deu a personalidade definitiva de Mickey, completou 100 anos nesta quinta-feira, dia 5. Para sorte de Mickey, Floyd Gottfredson entrou na Disney em abril de 1930, poucos meses após o próprio Walt Disney ter criado o personagem. A arte de Floyd nas tiras de Mickey foi tão marcante que do mês seguinte em diante, o personagem lhe foi confiado, Assim, em 5 de maio de 1930, no exato dia em que Floyd Gottfredson completava 30 anos, saía a primeira tira do personagem que rapidamente encantou o mundo. Gottfredson trabalhou até os 70 anos, embora nunca tivesse tido o direito de assinar as tiras, e faleceu em 1986. O centenário teria passado em branco não fosse um belo especial da editora alemã Ehapa, que rapidamente foi motivo para a imprensa da Alemanha dedicar belas matérias ao criador.

Almada: 266 fanzines na 8ª Feira Internacional

Depois de 4 anos, Almada realiza mais uma edição da Feira Internacional do Fanzine, a oitava. E o trabalho 'de formiguinha', quase invisível acabou sendo recompensado. A cidade portuguesa estará apreciando a maior reunião da produção independente de quadrinhos do mundo, de 13 a 21 de maio. Até o último informe oficial que recebemos, no dia 4, já haviam 266 títulos de fanzines confirmados na mostra, de 17 países, incluindo 86 edições brasileiras

Vale destacar uma sessão especial da Tertúlia BD de Lisboa, que acontecerá em meio ao evento. Até onde sabemos, a Tertúlia BD é, decerto em língua portuguesa e com muitas probabilidades de o ser no mundo, o maior centro de reuniões de fanzineiros. A livraria já sediou mais de 275 encontros de produtores independentes da Nona Arte.

Morreu Zeke Zekley

Aos 90 anos, morreu o tirista americano Zeke Zekley, que foi o auxiliar direto de George McManus na antológica série de Pafúncio (Bringing up Father), até a morte do criador da série, em 1954. Como o King Features Syndicate acabou não efetivando o esperado com o falecimento de McManus, escolhendo outro autor para seguir as tiras de Pafúncio, Zekley acabou criando sua própria série: Dud Dudley. Zekley ainda fundou a editora Sponsored Comics, e o registro que ficou de seus colegas é que foi um patrão melhor que a King Features...

O novo Capitão América

Uma nova safra do gibi do Capitão América está por vir, nos EUA. A Marvel confiou ao roteirista Ed Brubaker esta tarefa. Na primeira edição, teremos a presença do Caveira Vermelha... e mais não contamos para evitar tirar o sabor de leitores que não gostam de muitas antecipações.

Os indicados aos Prêmios Harvey 2005

Saiu a lista de indicados aos Prêmios Harvey (Harvey Awards), cuja entrega acontece em 11 de junho. Com a crescente participação do mainstream entre os indicados aos prêmios Eisner, a atenção especial que os Harvey tem é exatamente por conta de indicar os bons trabalhos que são realizados por quadrinhistas que não ocupam os maiores espaços da imprensa geral e especializada. Não que os nomes já reconhecidos por um público maior não figurem. Concorrem, este ano, Alejandro Jodorowsky, Art Spiegelman, Brad Meltzer, Brian Michael Bendis, Brian K. Vaughan, Humberto Ramos, Jeff Smith, Garry Trudeau, Neil Gaiman e Osamu Tezuka.

Entre os indicados, ressalvamos que o canadense Seth teve reconhecido seu trabalho não só pela monumental reedição completa das histórias de Charlie Brown e seus amigos em Peanuts, mas também pelo seu minimalista e quase artesanal 'Palookaville'.

Do ponto de vista das obras que ajudam o apreciador da Nona Arte a entender sua história e suas possibilidades, houve uma bela e justa série de indicações para Fantagraphics e Komikwerks.

Canadá: os vencedores do Shuster Awards

O prêmio aos melhores do ano nos quadrinhos do Canadá - uma homenagem a Joe Shuster, um dos criadores do Superman - revelou os vencedores de sua primeira edição.

As grandes vencedoras, no contexto geral, foram obras das grandes editoras americanas de super-heróis, o que evidencia a dependência do mercado de trabalho para os artistas canadenses. Como melhor editora canadense de HQs, foi indicada a Arcana Studios. Cerebus - de Dave Sim e Gerhard, que também concorre aos Harvey, ganhou um prêmio especial por seus 300 números, um recorde absoluto na HQ canadense.

Doug Wright Awards: o outro prêmio do Canadá

Uma boa 'briga' está lançada no Canadá, e o vencedor presumível é a arte sequencial. Um outro prêmio, menos comentado, também tem sua primeira edição em 2005. Homenageando Doug Wright, quadrinhista que foi o maior protagonista canadense de 1940 a 1980, o prêmio começa - com pés no chão - com apenas com 2 categorias, mas que mostram claramente a sua vocação: melhor talento emergente e melhor obra. Os vencedores serão anunciados no dia 28, durante o Toronto Comic Arts Festival. A lista de indicados tem um perfil muito diferente da dos Shusters, e privilegia a produção veiculada no Canadá.

De nenhum a 2 prêmios, é um avanço mais que considerável, e os debates comparativos entre as duas listas só fortalecem a compreensão real do potencial canadense na Nona Arte.

Condorito em espanhol nos EUA

O único personagem de quadrinhos da América do Sul a ser difundido nos EUA ganhou uma edição de 128 páginas, totalmente em espanhol. Em 'Condorito La Aventura Comienza', ele aparece com toda a turma, numa iniciativa da Rayo, editora especializada no público latino. O preço: 15 dólares.

A Planeta anuncia uma constelação

A Planeta DeAgostini anunciou já os títulos que serão lançados no Saló 2005, em Barcelona, que espera ter mais do que os 94.000 visitantes de 2004.

A extensa lista é de entusiasmar vários públicos: confira alguns dos autores incluídos: Marc Andreyko, Sergio Aragonés, Kyle Baker, Milton Caniff, Mark Millar, Muñoz e Sampayo, Fabian Nicienza, Alex Raymond, Charles Schultz, Sergio Toppi e Naoki Urasawa.

Apocalypse Nerd

Peter Bagge continua sendo um dos nomes mais ativos da cena independente, não só nos EUA como também na Europa. Depois de Hate, seu Apocalypse Nerd, come&cc