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BLOG SOBRE DESARMAMENTO - 19.09.2003
(Para fins de recapitulação apenas. Comentários devem ser feitos na edição 43 - Especial Desarmamento)


Tudo Esta Escrito no Eter Universal


19.9.03

Essa semana acompanhei pelo rádio uma entrevista de um deputado (esqueci o nome) a respeito do projeto de lei em discussão sobre o desarmamento. A observação do político, engajado na luta contra a proposta, foi de que a proibição da venda e porte de armas atingiria tão somente aquelas pessoas que legalmente adquiriram o direito do porte. Realmente, não imagino que o bandido esteja muito preocupado em estar com seu instrumento de trabalho legalizado. Até porque, na maior parte das vezes, as armas usadas em assaltos são modelos proibidos ou de uso exclusivo da polícia (...). Insiste pois, o deputado, que a referida lei, caso vigore, nada mais faria do que desarmar a vítima, assegurando ao larápio um roubo mais tranqüilo. Já pensaram no hipotético caso do ladrão processar a vítima porque ela se defendeu ilegalmente com uma arma, machucando-o ao sair correndo e frustrando seu ganha-pão? Tenho minhas dúvidas sobre ter uma arma, ainda que para defesa. Mas fecho com o deputado, que não vê nessa lei o caminho para soterrar a violência.



Dilson | 19-09-2003 11:05:47

O problema não são as armas de fogo vendidas legalmente no país, a violência urbana tem raízes mais profundas e questões mais difíceis de solucionar. Esta história toda me lembra aquela piada do bêbado procurando a chave embaixo do poste de luz.\"Eu perdi a chave ali naquele canto escuro,só estou procurando a chave aqui por que está mais claro\",disse o bêbado. As pessoas são responsáveis pela violência e a motivação para o ato violento vai continuar, com ou sem armas de fogo.A discussão passa pelas desigualdades sociais que estão se tornando mais e mais evidentes.O crime deixou de ser um ato impessoal, o criminoso agora mata o motorista do Audi na esquina por prazer, para obter alívio de anos de frustração acumulada.O conflito de classes deixou o campo da teoria e está se tornando concreto.Passeata pela paz na orla marítima do Rio de Janeiro é turismo, queria ver esta passeata pelas ruas da Rocinha. As crianças morrem de acidentes por arma de fogo, mas também morrem intoxicadas pelos medicamentos dos adultos deixados ao seu alcance.A solução seria proibir as pessoas de manter medicamentos guardados em casa? Culpar um objeto inanimado é muito fácil, evita discussões mais profundas.

Eduardo Sabbi | 19-09-2003 12:01:38

Hey, legal ver você por aqui Dilson! E estreiando em grande estilo hein? Olha só, tem um texto legal sobre o desarmamento em http://desarmamento.tripod.com/letters/whythepresident.html, ainda com algumas irônicas referências ao governo anterior, origem do projeto. Um abraço cara e segue dividindo essa sabedoria com a gente meu chapa!

Camila | 19-09-2003 13:29:07

Olha, Doutor Eduardo, eu sei que não posso cobrar um posicionamento como o meu da maioria das pessoas, mas confesso que fiquei surpresa...para informação de vocês o propósito do Estatuto do Desarmamento é fulminar esses acidentes que ocorrem com arma de fogo, principalmente entre crianças; ademais, a maioria das armas que estão nas mãos dos bandidos (peraí, de que bandidos nós estamos falando? Daqueles que querem os Nikes de vocês, por conta dessa maldita mídia que impõe esse padrão de que só serão bons os que tiverem esse ou aquele tênis, o Fiat Brava e o celular que tem luz azul?) foram trazidas pela polícia, pelo exército e por viciados que furtaram a arma dos pais para trocarem por drogas, sendo que TODAS foram ADQUIRIDAS LEGALMENTE!!! Oh, surpresa! Desculpe os modos, mas não consigo ficar quieta lendo tudo isso...

Letícia Furtado | 19-09-2003 13:53:18

Em primeiro lugar o Estatuto do Desarmamento não tem como objetivo o combate efetivo da criminalidade. O Brasil é um dos países com maior índice de mortes em decorrência do uso de armas de fogo, sendo que a maior parte desses homicídios são feitos com armas leves, que são vendidas legalmente. A maioria das mortes ocorridas por armas de fogo são cometidas por pessoas sem antecedentes criminais, por pessoas irresponsáveis em relação ao uso das mesmas. Seria interessante dar uma olhada no site www.soudapaz.com.br . Acho que lá poderias te esclarecer melhor em relação ao Estatuto.

Dilson | 19-09-2003 15:59:45

Agora falta o congresso aprovar uma lei que proíba as pessoas de serem atingidas por projéteis de arma de fogo. Se levar uma bala na rua for um crime inafiançável, as pessoas vão pensar duas vezes antes de serem baleadas. Pelo menos vão aprender a se desviar das balas.

Eduardo Sabbi | 19-09-2003 16:08:59

Uhuu! Até que enfim começamos a funcionar "prá valer". É bom poder ter opiniôes divergentes, comprimido perfeito que combate o comodismo da cabeça e os males da burrice. Legal Letícia, vou entrar no site e trocamos uma idéia amanhã no templo sagrado do futebol gaúcho. Hey Camila, mais um estréia "'à toda". Realmente, tem bandido à toa por aí, em tudo que é lugar. Até na história de Adão e Eva (sem Nikes, Fiats Bravas e celulares com luzes azuis) a bandida da cobra teve seu êxito!

Cláudio Furtado | 20-09-2003 01:47:41

Primeiramente há uma confusão quanto ao propósito da estatuto do desarmaneto. Nota-se que o argumento norteador dos que são contrários ao estuatuto do desrmamento se fulcra na tese de que o desarmamento só vai prejudicar o cidadão e beneficiar o "bandido". Desta afirmativa decorrem outras proposições( no mínimo equivocadas) das mais diversas espécies; como a de que a conduta criminosa é algo intrínseco ao futuro criminoso e que proibir as armas não solucionaria o problema. Tais argumentos ñ merecem respaldo pq o propósito do projeto de lei NÃO É, SOMENTE, DESARMAR O "BANDIDO", e sim desarmar o cidadão que compra a arma legalmente,já que seria, no mínimo, ingenuidade pensar que este projeto pretende desarmar o bandido, eis que o mesmo adquire a arma de forma ilegal e não seria uma lei que o faria agir de forma diferente. Portanto o cerne o projeto é desarmar o cidadão e consequentemente o "bandido"; pois segundo o Instituto Sou da Paz um cidadão armado tem 57% de chance a mais de ser assassinado do que os que andam desarmados. A cada 7 horas uma pessoa é vítima de acidente com arma de fogo no Brasil. Mais uma: Em São Paulo, 60% dos homicídios são cometidos por pessoas sem histórico criminal e por motivos fúteis. As armas de fogo causam um custo ao SUS de mais de 200 milhões de reais por ano.A chance de uma mulher morrer assassinada com arma de fogo pelo marido ou pelo amante é três vezes maior do que por um desconhecido. Quem tem arma em casa tem 4 vezes mais chances de morrer em um assalto do que estão desarmados.E por fim:Das armas apreendidas pela polícia do Rio de Janeiro, mais de 80% eram brasileiras e 90% de calibre permitido, ou seja, mesmo que o bandido não compre armas em uma loja, são armas que entram de forma legal as mais utilizadas para matar e roubar em nosso país!!! Fora estes dados há inúmeros outros q respaldam o projeto. Me proponho a discutir o tema de forma + aprofundada em outra oportunidade.

Cláudio Furtado | 20-09-2003 01:54:14

Também gostaria de debater como Dilson sobre criminalidade e o sujeito criminoso, conflito de classes etc.. Pois notos q suas afirmativas carecem de fundamentação político-crminal. Abraço

Eduardo Sabbi | 20-09-2003 14:38:15

Opa Cláudio, tudo legal? Fico muito feliz com toda essa gente com a cabeça cheia (de idéias) estar discutindo esse assunto. Me ocorre tanta coisa que também acho que essa discussão mereça ir além. Bons, muito bons os dados estatísticos. Mostram nosso "lado animal". Que espécime violenta somos hein? Vamos apimentar: uma das principais causas de morte no Brasil são os acidentes de trânsito. Não podemos desinventar a roda e provavelmente também não íamos querer isso. Mas a solução passaria por proibir o uso dos veículos ou o mau uso deles? Sim entendo que não é muito fácil vermos o "bom uso da arma". Talvez nem exista mesmo. Mas ainda assim acho um pouco utópica a proibição. Quem tem a convicção da utilidade vai seguir utilizando. Assim como tem gente que não larga as drogas por nada (...), sejam elas lícitas ou não. Mas, contudo, todavia (lê o de baixo antes), se fizermos o caminho inverso na questão das drogas a coisa aperta. Se proibir não evita o danoso uso, liberar tampouco seria o caminho (opinião minha, tem os que dizem que sim). Me preocupa também isso do nosso país criar uma lei em cima de outra, mas não conseguir que elas sejam devidamente respeitadas. Daí o Dílson tem plena razão, independente de ser fruto de estudo ou observação (imprescindíveis os dois) na brincadeira da lei do desvio das balas e outras ironias. Então seria preciso mexer nas nossas convicções? Isso já virou jargão, de tão óbvio, mas quem sabe assim como no trânsito, não estaríamos falando, talvez, em algo além de proibir e liberar. ¿Tá¿ (como diria a Letícia Pink), segue o baile que ainda tem muito salão pela frente! E vamos no jogo Cláudio!!!

Eduardo || 20-09-2003 22:05:27

Descoberto o mistério do ponto de interrogação sem pé nem cabeça! A Letícia Furtado esclareceu-me, em pleno Beira-Rio (grande jogo, hein?), que algumas vezes (não todas) o sistema do Blogger se perde e interpreta mal as aspas, tranformando-as na interrogação plantando bananeira no momento da publicação do comentário. Aliás, a família Furtado prometeu-me seguir argumentando a favor do desarmamento. Que beleza!

Letícia Furtado | 22-09-2003 09:32:35

Seria extremamente válida a idéia de fazer uma edição do Simplicíssimo sobre Desarmamento pois, infelizmente, o espaço para comentários é mínimo para tantos argumentos a favor do mesmo(assim como o intervalo do jogo e a carona de volta) 

Eduardo Sabbi | 24-09-2003 15:50:08

Então Letícia, vai sair a edição especial, vão apontando seus nankings (putz - sem violência pessoal). Quanto ao tempo da carona, é limitado porque o trânsito está muito violento, muitos acidentes. Acho qaté que vão nos proibir de ter carro (hahahaha to brincando!!!)

Carla Schneider | 01-10-2003 09:58:52

Que barbaridade! ´ Uma menina de nove anos foi baleada no braço dentro da sala de aula no Rio Grande do Sul. (...) O responsável pelo disparo, um garoto de 14 anos (...) Conforme testemunhas, o garoto, ao manusear o revólver, acabou disparando acidentalmente um tiro.´ Fonte: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI151451-EI306,00.html

 

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